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Abaixo-Assinado (#10741):

Queremos as Sete Quedas de Volta

Destinatário: Itaipu Binacional

Sorte de quem as conheceu. Em 13 de outubro de 1982, há 30 anos, o fechamento das comportas do Canal de Desvio de Itaipu começava a sepultar, com as águas barrentas do lago artificial, um dos maiores espetáculos da face da Terra: as Sete Quedas do Rio Paraná ou Saltos del Guairá.
Recordistas mundiais em volume d’água, as Sete Quedas eram o principal atrativo turístico de Guaíra, cidade que, à época, chegou a rivalizar em importância com Foz do Iguaçu. Atualmente, a população da antiga cidade real espanhola é inferior a 30 mil habitantes.
Curiosamente, à exceção de Guaíra, a data não foi recordada na imprensa do Brasil ou do Paraguai. Silêncio cúmplice para aquele que, nas palavras do jornalista Juvêncio Mazzarolo (atualmente, funcionário de Itaipu), foi um verdadeiro “holocausto ecológico”? Talvez.
as barrentas águas do Lago de Itaipu sepultavam aquelas que haviam sido, por mais de 100 milhões de anos, as quedas d’água mais volumosas do planeta. Desde então, faz-se pergunta: é possível que as Sete Quedas voltem à tona?


Tal questionamento ganhou especial relevância quando, em plena crise do “apagão elétrico” brasileiro, o Operador Nacional do Sistema (ONS) solicitou à usina de Itaipu que aumentasse sua produção de energia, provocando o rebaixamento de cinco metros no nível do reservatório.


Esta variação, aparentemente insignificante para afetar o desempenho das turbinas da binacional, cuja captação de água ocorre 20 metros abaixo da superfície do lago, mantido a 220 metros acima do nível do mar, foi suficiente para ressuscitar algumas das corredeiras que levavam às quedas.


O fato causou verdadeira comoção popular em Guaíra, cujos habitantes solicitaram ao então diretor brasileiro de Itaipu, Euclides Scalco, que mantivesse o descenso em pelo menos dez metros, como forma de permitir a volta dos saltos mais altos e trazer à tona o espetáculo interrompido.


Em resposta ao pedido, Scalco informou que "Itaipu foi construída com a missão primordial de garantir energia elétrica ao Brasil e ao Paraguai". Para que as quedas voltassem a rugir com toda a sua fúria original, de acordo com o diretor, seria necessário o esvaziamento completo do lago.


Segundo ambientalistas, no entanto, bastaria que o reservatório fosse mantido aos 205 metros acima do nível do mar, para que parte do principal atrativo turístico de Guaíra pudesse ser apreciado novamente, após duas décadas de incômodo silêncio.


Por sua vez, Itaipu rebatia o argumento alegando que, enquanto Guaíra implorava pelo rebaixamento do lago, os demais municípios lindeiros solicitavam sua elevação, já que a “beleza” de suas praias artificiais estava sendo afetada pela estiagem forçada.


A binacional finalizava sua nota relembrando aos guairenses os valores pagos desde 1991, em conceito de royalties, e afirmando que a usina aportava uma “contribuição incomparável ao desenvolvimento paranaense”, sem contar com os “benefícios adicionais”.


Descartado o ressurgimento das Sete Quedas no presente, portanto, surgia uma nova e inevitável pergunta: e no futuro? Com vida útil estimada em 300 anos, Itaipu deixará de funcionar por volta do ano 2280. Antes disso, entretanto, é provável que sua tecnologia torne-se obsoleta.


Entra em cena outro fator: a necessidade de armazenamento de água, cada vez mais “preciosa” e insuficiente para a manutenção da vida no planeta, dotando o reservatório da usina, com seus 29 milhões de m³ de líquido vital, em uma reserva de valor econômico incalculável.
Cultivar a história desta dolorosa lembrança é, acima de tudo, não deixar que as Sete Quedas sejam afogadas novamente, desta vez, sob o cruel e onipotente manto do silêncio oficial que a tudo devora, fazendo com que as atuais gerações sequer tenham ouvido falar sobre as “Cataratas do Rio Paraná”.


Cultivar a memória é, igualmente, uma forma de aprender com os injustificados erros do passado para evitar que, no futuro, semelhantes tragédias sejam repetidas.


Afinal, cedo ou tarde, a natureza mandará a fatura. Neste “acerto de contas”, qual será o preço cobrado pelo monstro de concreto e aço, chamado Itaipu?

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