Abaixo-Assinado (#5212):

Nós, os motociclistas

Destinatário: Veículos de Comunicação

Diante da massificação de informações relacionadas a motocicletas, vindas das mais diversas fontes, principalmente a partir de jornais e acidentes do cotidiano e, ultimamente, até mesmo de parlamentares em busca dos seus quinze minutos de fama, cumpre a nós, motociclistas oferecer a nossa versão dos fatos e esperar que um veículo de comunicação de respeito ofereça os fatos, também, sob a nossa ótica.

O grande gancho dos veículos de comunicação para nos transformar em “patinhos feios” do trânsito, principalmente nos grandes centros, são os números relacionados aos acidentes de trânsito, os quais são mostrados em números absolutos, ou seja, sem quaisquer correlações com a evolução dos números relacionados. Por exemplo, dados oficiais, disponibilizados em http://www.transportes.sp.gov.br/v20/downl...an2007/cap4.pdf, pela Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo, dão conta que o numero de acidentes envolvendo motocicletas, entre 2006 e 2007, variaram +22,3%, mas também informam que a frota de motocicletas variou +17,8%. Outros números mostram ainda que, embora fôssemos responsáveis por 18% dos acidentes, também éramos responsáveis por 17,4% da frota.

Outro detalhe, que em todas as estatísticas, oficiais ou não, passam despercebidos, é a não divulgação da apuração das causas de acidentes, ou seja, quantos deles são responsabilidade exclusiva do motociclista, quantos são de co-responsabilidade dos motociclistas e em quantos, os motociclistas são na verdade vítimas da imprudência ou imperícia de outros. Parece claro que nos machuquemos mais, afinal, temos a fragilidade advinda da exposição, característica inerente ao veículo.

Outra estatística sinistra, e que também pouco se vê nos veículos de comunicação, estão relacionados aos números de ocorrências de furtos e roubos desse tipo de veículo. Números encontrados em http://www.susep.gov.br/menuestatistica/Mapas/principal.aspx dão conta que, na região da grande São Paulo, essas correspondências relativas ao numero de sinistros em relação pelo número de veículos segurados são superiores a 3,32%, com alarmantes 14,85% na região de Mauá.

Esses números são resultados oficiais oferecidos pela SUSEP, que é vinculada ao Ministério da Fazenda, mas não dão conta das vítimas que são atingidas por balas, em tentativas positivas ou frustradas para os ladrões. Muitas dessas vítimas, infelizmente, são fatais.

Em plena era da eletrônica, da informação digital, deparamo-nos com propostas, que parecem estar apoiadas em um mundo paralelo, frutos do pensamento de pessoas que não possuem entendimento, muito menos vivencia, no mundo sobre duas rodas. Propostas, como as abaixo:

- Placa Dianteira para motos;
- Colete "Air-Bag" para motociclistas e garupas;
- Obrigatoriedade de Antena Anti-Linha de Pipas;
- Proibir o transito de ciclomotores em determinadas vias;
- Adesivos Reflexivos para capacetes e colete luminosos (Querem nos transformar em árvores de natal ambulantes!);
- Adesivos com a placa do veículo no capacete (Vamos ter que ter um par capacetes para cada moto?!);
- Proibição de garupa em motocicletas (Aonde vamos levar nossas esposas e namoradas para passear?!).

Propostas como essas, idéias alienadas, parecem, claramente, apontar para as conseqüências e não para as causas; parecem saídas de uma reunião de final de semana com amigos, parecem não ter fundamento sólido, empírico ou baseado em observações.

Por outro lado, porque não buscar embasamento no que é feito em outros países que tenham implementado regulamentações e já desfrutam de resultados? Idéias como:

- Proibição do desmanche e comércio de peças usadas para veículos;
- Pistas exclusivas ou semi-exclusivas para motocicletas;
- Proibição e ação contra as linhas de pipa com cerol (Vocês já ouviram falar da tal linha chilena?!);
- Valores de peças originais compatíveis com o mercado de motocicletas;
- Punição mais severa de motociclistas irresponsáveis;
- Obrigatoriedade de curso de pilotagem para motocicletas conforme a faixa de potência da mesma;
- Obrigatoriedade do uso de equipamentos de qualidade que realmente salvam vidas! (Ou vocês acreditam que um capacete de R$50,00 salva alguma coisa em uma queda?!);
- Manutenção adequada de nossas vias públicas;
- Radares são eficientes, mas, muitas vezes, são utilizados de forma temerária, por vezes, mesmo, como instrumentos de arrecadação. Porque não debater os equipamentos que rastreiem os veículos, podendo ser uitlizados para monitorar velocidade em um percurso, mas, também para identificar veículos roubados, ou furtados, de forma rápida e eficiente;
- Valorização e limpeza de nossa força policial. (A pior covardia é bandido fardado... isso é uma desonra aos bons policiais!).

Somos lúcidos e conscientes que atitudes, como as apresentadas acima, não podem ser vistas por uma visão simplista; pelo contrario, sabemos que há muitos interesses paralelos nesse contexto, mas o que não se pode esquecer é que nós somos os senhores deste País, e aqueles que lá estão, ocupando cargos em um dos três poderes desta república democrática, são nossos representantes e, como tal, deveriam agir segundo o bem-estar dos seus representados.

Chega de nos mostrar apenas como vilões da história, pois temos muitos deles entre nós sim, pessoas que utilizam a motocicleta como veículos de fuga em ocorrências policiais, irresponsáveis que andam em altas velocidades em vias públicas, mas esses também existem entre os que optam por automóveis. Dentre esses vilões, muitos deles buscam peças em lojas que oferecem peças originais, "semi-novas", mas de origens duvidosas. De forma rápida, lojas como essas podem ser encontradas por nós; porque não poderiam ser encontradas pela polícia?

Outra notícia que vem sendo veiculada com maior constância diz respeito às ocorrências com motos potentes andando em velocidades duas, ou três vezes superior à permitida para o local. Também temos ciencia desse problema, mas isso não é privilégio do Brasil, ocorre em outros países e a solução adotada lá, também pode ser adotada aqui, ou seja, incentivar investimentos em pequenos e médios autódromos, regulamentando-os de forma a permitir que sejam explorados comercialmente e usufruídos por motociclistas que querem desfrutar do prazer que esse tipo de veículo pode oferecer, com toda a segurança possível.

Não é difícil enumerar as situações de risco, tanto de acidentes, quanto de violencia contra motociclistas no trânsito, ou mesmo na porta de casa. A enorme maioria desses casos é cometida por bandidos de verdade. Mas, muitas vezes, somos nós os tratados como bandidos, em função dessa marginalização que sociedade vem nos impondo, fruto dessa visão erronea na qual o veículos de comunicação nos impuseram.

Comprar aviões para proteger nossas fronteiras é, sem dúvida, muito importante, mas mais importante do que isso, é manter a integridade dos cidadãos que estão dentro das fronteiras, tomando atitudes sensatas e não atabalhoadas partindo de cidadãos que não têm mínimos fundamentos para nos representar. À mídia, cabe mostrar os fatos, mas antes cabe também apurá-los devidamente, ouvindo todas as partes envolvidas.

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