Abaixo-Assinado (#31107):
Nosso Campus Jorge Amado amanheceu de luto ontem: uma manifestação de exaltação ao amor foi invadida pela violência!
Por dois dias seguidos, fotos de uma intervenção em forma de painel fotográfico (de estudantes, docentes e técnicas/os com suas/seus companheiras/os, filhas/os, animais de estimação) na entrada da nossa Sede, que chamava a atenção para todas as formas de afeto, apareceram com escritos de cunho homofóbico. E, por dois dias, o segurança os apagou.
Sabemos que vivemos num país que é um dos campeões em mortes por homofobia, lesbofobia e transfobia, onde as pessoas não respeitam as diferenças e que há muita gente intolerante em todos os espaços, mas é grave que este fato tenha ocorrido na UFSB, onde temos, inclusive, realizado ações de acolhimento das diferenças (discussões, mostras, formação de coletivos).
É a violência batendo à nossa porta, mostrando sua cara? Será que, em nome da paz social, temos encoberto a intolerância às diferenças, arrancando-lhe as forças, mas, no final das contas, apenas frenando-lhe sua intempestividade? Neste caso, a omissão pode ser um perigoso precedente para futuras atitudes covardes de homofobia, lesbofobia e transfobia mais graves.
Corajosamente (mas, é certo, também tristemente) as vítimas dessa agressão decidiram que não irão retirar as fotos do painel na entrada da nossa Sede, intervenção justamente chamada Mais amor, por favor. Mas este episódio demonstra que precisamos redobrar nossos esforços para trabalhar a diferença, sendo urgente uma ação da comunidade universitária.
Entendendo que não se tratou de um episódio isolado de violência contra um segmento ou grupo minoritário, mas de uma agressão que foi sofrida por toda a Comunidade Universitária, o Conselho Universitário (Consuni), em reunião extraordinária realizada ontem, além de manifestar repúdio à agressão, elencou algumas ações na perspectiva de promover a neutralização do ódio:
1. Tornar pública, no site da Universidade, a Resolução, já aprovada pelo Consuni mas que, até ontem, estava sob análise da Procuradoria Jurídica da UFSB, que trata do Nome Social;
2. Abrir Sindicância para apurar o ocorrido, bastando, para isto, que uma das vítimas ou alguém que as represente apresente denúncia formal junto às instâncias de controle da universidade;
3. Realizar, durante o Fórum Estratégico Social, debate, que seja amplo e iluminador, sobre o Nome Social, com professores, servidores, estudantes e representantes da sociedade;
4. Promover ciclo de debates nos três campi com professores, técnicos, estudantes e terceirizados, abordando a intolerância em seus múltiplos aspectos: cultural, religioso, jurídico etc.;
5. Inserir esta temática - gênero e sexualidade, direitos das minorias, tolerância – nas matrizes curriculares dos BIs e Lis, mas também nos currículos de formação de professore/as; e
6. Garantir a reflexão crítica e a atitude política na luta árdua de todos os dias em sala de aula: no uso da linguagem, nas ações docentes, no trabalho de pesquisa e na criação artística.
Sigamos adiante! "Se aprenderam a odiar, podem aprender a amar" (Mandela). Então, mãos à obra!
Itabuna (BA), 15 de julho de 2015.
O AbaixoAssinado.Org é um serviço público de disponibilização gratúita de abaixo-assinados.
A responsabilidade dos conteúdos veiculados são de inteira responsabilidade de seus autores.
Dúvidas, sugestões, etc? Faça Contato.