Abaixo-Assinado (#32539):
O preconceito sofrido pelas pessoas que apreciam o funk não é novidade no Brasil. Outro gênero musical, o samba, também surgido nas camadas populares da sociedade, já sofreu forte repressão do Estado, no final do século 19 e início do 20.
Sua prática foi criminalizada por ser relacionada com valores que corrompiam a sociedade, como vadiagem e promiscuidade. Esses termos, apesar do intervalo histórico e das características musicais diferentes entre samba e funk, são postos ao segundo gênero musical por meio do discurso de falsos moralistas contemporâneos.
Ao olhar para o funk, devemos ter uma visão de conjunto, ou seja, é preciso entender seu surgimento no Brasil e a realidade social que envolve o seu desenvolvimento. Dessa forma, vamos perceber que as acusações feitas ao funk são injustas, e que não será ele o causador da "incitação à violência", "perturbação da ordem pública" ou "uso de drogas entre os jovens".
O funk é um gênero musical, e só. Não se trata de uma entidade que encarna todas as mazelas que perturbam o dito cidadão de bem e respeitador das leis, desce da árvore e conduz os jovens ao pecado. Sendo um estilo musical, o funk se torna manifestação cultural porque ele é praticado e feito por pessoas. Para entender este gênero, precisamos entender a realidade dos indivíduos que o produzem.
A origem do funk começou nos Estados Unidos, como um dos expoentes da música negra dos anos de 1960. Seu aparecimento no Brasil ocorre a partir da década de 1970, nas favelas do Rio de Janeiro, e, ao longo dos anos, se espalhou por quase todas as comunidades !brasileiras.
Enquanto manifestação cultural, o funk está preso à realidade histórica e social que existe nas favelas e periferias das cidades brasileiras. Realidade esta marcada pela forte desigualdade social, violência, consumo de drogas e abandono por parte do Estado. É um cenário marcado pela ausência, tanto material quanto intelectual.
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