Abaixo-Assinado (#36327):
Décadas de demagogia política fizeram de nosso país uma verdadeira selva, e não é senão por acidente que de alguma medida governamental que vise à cultura ou à educação provenha real e efetivo benefício para a população — paradoxalmente, são mais facilmente manipulados que indivíduos cultos.
Não apenas são raros os atos administrativos benfazejos, mas basta que algum burocrata perceba-os enquanto tais para que se ponha imediatamente a “aprimorá-los em favor do bem público” — termos que, em novilíngua, significam “tornar algo inócuo”.
Assim, parecia bom demais para ser verdade que nossa Empresa de Correios e Telégrafos oferecesse uma tarifa especial para o envio de livros. Com efeito, não se podia deixar de notar nisso um real estímulo à leitura e à cultura...
Mas alguém notou, e reconheceu também o perigo de algo que, de fato, tenha impacto sobre a formação da população — afinal, na presença de uma cultura real, os simulacros passam a ser vistos como de fato são: vazios, ilusórios; e vivemos numa terra de simulacros...
Uma vez que a Empresa brasileira de Correios e Telégrafos constitui, basicamente, um monopólio, e considerando, ainda, tratar-se de Empresa Pública — atendendo, portanto, por definição, não aos interesses do povo, mas dos políticos — é claro que a modalidade com desconto para envio de livros mediante custo módico não poderia durar indefinidamente.
Desse modo, a partir do dia 14/06/2017, o limite para envio de livros na modalidade “impresso normal: registro módico” será reduzida de 20kg para 2kg. Em termos numéricos, uma encomenda que antes custaria R$ 18,00 passará, agora, a custar por volta de R$ 80,00 — isso via PAC; o Sedex provavelmente custaria um braço ou uma perna.
Essa alteração é, em primeiro lugar, ilegal, pois cabe ao Poder Executivo a determinação de preços para os serviços prestados pelos Correios. Em segundo lugar, uma medida que estorve o acesso a livros numa terra de semi-analfabetos é descabida! Finalmente, se a causa dessa mudança é a falta de recursos, seria o caso de investir melhor os pesados impostos que se recolhem — em outras palavras, empregá-lo em favor do povo, ao invés de embolsá-lo.
Este abaixo assinado objetiva o recolhimento de assinaturas com a intenção de reverter esse novo posicionamento dos Correios, explicitando, ainda, a hipocrisia de um governo que, gastando fortunas com propagandas de apregoamento dos benefícios (ilusórios) do sistema educacional brasileiro, dificulte ou impeça suportes eficientes à formação dos cidadãos.
O AbaixoAssinado.Org é um serviço público de disponibilização gratúita de abaixo-assinados.
A responsabilidade dos conteúdos veiculados são de inteira responsabilidade de seus autores.
Dúvidas, sugestões, etc? Faça Contato.