Abaixo-Assinado (#36519):

Criação de uma Universidade Popular

Destinatário: Câmara de vereadores de Itabuna

 luta pela Universidade Popular é um projeto pronto: é necessário a compreensão do que significa estratégia, esquecida ou considerada como um “debate superado” pela esquerda nos últimos tempos, mas que foi em vários casos da estratégia nacional-libertadora ao taticismo sem princípios, ou então, da primeira à defesa abstrata do socialismo como fórmula pronta. A luta estratégica significa o apontamento dos objetivos últimos do movimento, que só pode ser alcançado com a necessária vinculação entre as tarefas imediatas das lutas (salário, emprego, educação, saúde, terra, etc) com a apresentação do novo como alternativa. A estratégia é guia, no sentido que não considera cada luta independente entre si, mas articula todas ao objetivo comum, que não pode ser a simples negação do existente. A negação está sempre presa ao objeto de negação (lutar contra a privatização pressupõe a privatização, por exemplo), e a estratégia se apresenta como uma saída positiva, que se articula com a negação em uma interação recíproca, mas que não pode ser com ela confundida (denúncia e proposta se articulam profundamente, mas são distintas, e ambas são importantes). Além disso, tática e estratégia se articulam dialeticamente. A luta pela reforma agrária pode ser uma estratégia na luta pela democratização do acesso à terra, por exemplo, mas dentro da revolução socialista brasileira é uma estratégia parcial, logo uma tática, com vínculos sempre mais complexos com patamares superiores de luta. Assim, a luta pela Universidade Popular não é e nem pode ser um projeto pronto, pois é uma estratégia: ela possui princípios gerais[2] que devem ser constantemente apresentados como horizonte para a solução positiva dos problemas candentes (direitos estudantis, pesquisa e extensão, reformas curriculares, planos de carreira, isonomia salarial, etc), ou seja, como ponto de chegada de programas de ação viáveis e flexíveis. Estes mesmos problemas podem ser resolvidos de formas diferentes de acordo com o referencial estratégico de universidade que se tem, ou com a ausência deste. Podem, por exemplo, no caso da assistência estudantil, reforçar a organização estudantil e popular, ou serem simplesmente assistencialistas e paternalistas. O que determina é a concepção de universidade que se defende. Em suma, a estratégia deve ser corretamente antecipada, mas não é nunca um “passo a passo” ou uma cartilha. Sem ela, igualmente, corre-se sérios riscos de se cometer erros graves[3], que podem significar anos ou até décadas de história.

Assine este abaixo-assinado

Dados adicionais:


Por que você está assinando?


Sobre nós

O AbaixoAssinado.Org é um serviço público de disponibilização gratúita de abaixo-assinados.
A responsabilidade dos conteúdos veiculados são de inteira responsabilidade de seus autores.
Dúvidas, sugestões, etc? Faça Contato.


Utilizamos cookies para analisar como visitantes usam o site e para nos ajudar a fornecer a melhor experiência possível. Leia nossa Política de Privacidade.