Abaixo-Assinado (#37865):
O Centro Acadêmico de Medicina Günter Hans, com o apoio dos servidores alocados no Laboratório de Anatomia Humana do Instituto de Biociências, torna pública as disposições acerca da necessidade de revitalização do espaço de ensino, pesquisa e extensão do laboratório.
Situação atual
O laboratório de anatomia, conta, em sua estrutura física, com:
• 1 AUDITÓRIO
• 1 SALA DE AULA TEÓRICA
• 1 SALA DE ANATOMIA ODONTOLÓGICA
• 1 SALA DE ANATOMIA VETERINÁRIA
• 1 SALA DE ANATOMIA HUMANA
• 1 SALA DE PREPARAÇÃO DE PEÇAS ANATÔMICAS
• 4 SALAS PARA SERVIDORES DO LABORATÓRIO
• 1 SALA PARA MUSEU DO ACERVO
*De todos os espaços colocados, as salas de anatomia humana e anatomia veterinária, espaços mais utilizados pelos alunos, não apresentam sistema de refrigeração, apenas exaustores antigos e incapazes de suprir a demanda do espaço.
*A sala de anatomia odontológica conta com dois ares condicionados antigos e que demandam renovação.
*Os demais espaços contam com ares condicionados novos.
Recursos materiais do laboratório de Anatomia Humana:
• 1 PROJETOR
• 10 MESAS DE METAL
• 30 BANCOS DE MADEIRA
• 9 TANQUES DE FORMOL
• 1 QUADRO NEGRO
• 1 LUPA
• 1 CÂMARA FRIGORÍFICA
*O laboratório conta com apenas 1 projetor, não fixado, para todos os ambientes (salas de aula, sala de anatomia humana, auditório), o que impossibilita a utilização concomitante em diversos espaços. A situação ainda é agravada pelo fato de que o projetor não funciona corretamente, e as imagens ficam com a coloração distorcida.
*As mesas do não contam com iluminação individual, ou com TVs individuais, estrutura padrão nos laboratórios de anatomia atuais, que aumentaria a capacidade de ensino do espaço.
*Os bancos são antigos e muitos estão quebrados.
* Os tanques de formol, pela estrutura antiga do espaço, estão alocados, em sua maioria, no interior da sala de aula, o que não respeita as normas atuais de biossegurança. Todos estão com a vedação comprometida, além de serem uma maneira desatualizada de conservação de peças anatômicas.
*A câmara frigorífica atualmente está inutilizada pela falta de novas peças anatômicas
Dentre todas as dificuldades do espaço, merece destaque a situação das PEÇAS ANATÔMICAS utilizadas para o ensino. A maioria já conta com mais de 10 anos de manipulação e estão em um estado de degradação avançado. Na maioria das aulas, é requerida a “imaginação” dos alunos para contemplação, e as atividades de dissecação estão suspensas há anos.
Ainda, a abertura do Laboratório aos Sábados, prática comum no passado, no intuito de realizar monitorias, projetos de ensino e pesquisa, não ocorre mais.
Recursos Humanos do Laboratório de Anatomia:
O laboratório conta com apenas 1 técnico para manejar toda sua estrutura, sendo este não habilitado para a dissecação de peças anatômica. Recentemente, 1 técnico alocado em Três Lagoas, que possui formação na área de anatomia, manifestou interesse de transferência para Campo Grande, e o processo atualmente está em andamento,
Exemplo em outras instituições
Dentre todas as áreas que contemplam a graduação médica, o ensino da anatomia humana está entre aquelas que apresentaram maior avanço a partir da amplificação dos meios digitais e de tecnologias que facilitam a visualização das estruturas que contemplam o corpo humano. Todavia, ainda não existe nenhum meio de replicar com exatidão a constituição anatômica dos indivíduos.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Anatomia, atualmente, na maior parte das instituições, o ensino da Anatomia é feito através da utilização de corpos de pessoas que faleceram e não foram procurados por amigos ou familiares. Assim, de acordo com a Lei n° 8.501, de 30 de novembro de 1992, estes cadáveres podem ser utilizados para o ensino e para a pesquisa.
Com o grande aumento de faculdades e a progressiva diminuição do número de corpos não reclamados, existe grande dificuldade em obter peças anatômicas para o ensino dos médicos, dentistas, fisioterapeutas e todos os demais profissionais da saúde.
Vários países também passaram por este problema e a maneira encontrada para resolvê-lo foi o estímulo para a doação de corpos.
Ainda existe na sociedade, a falsa ideia de que grandes centros mundiais estão abandonando o estudo através de corpos humanos. O que se observa, todavia, a partir de uma breve revisão bibliográfica, é que a realidade é justamente contrária: as faculdades mais conceituadas na área da saúde estão amplificando seus instrumentos de estudo na anatomia, aliando tecnologia ao estudo tradicional de peças biológicas.
Existe na UFMS, a tramitação de um projeto institucional de doação de corpos, elaborado pela Professora Dra. Jussara Peixoto Ennes, que regulamenta a atividade. Entretanto, o projeto está em tramitação há anos e encara dificuldades burocráticas. Sua implementação significaria uma resposta, à longo prazo, às dificuldades encontradas em conseguir material para estudo. Em contrapartida, a demanda urgente por novas peças depende de um diálogo mais atuante da instituição e os órgãos competentes: Reitoria da UFMS, Faculdade de Medicina, Instituto de Biociências, Departamento de Patologia do HUMAP, e Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL).
Aliado ao uso de peças reais, encontram-se as formas complementares de ensino na área de anatomia. Foi nesse campo em que o avanço foi mais marcante nas últimas décadas, o que deixou o laboratório de anatomia da UFMS em uma posição extremamente desatualizada em relação a outros centros. Nem mesmo os recursos básicos foram contemplados para o ambiente da sala de aula: internet, televisões, sistema de som e softwares de ensino em anatomia, o que impossibilita uma abordagem mais atualizada de ensino. Nos laboratórios atuais, as mesas possuem televisões individuais e iluminação própria, e a sala de aula um sistema de áudio adequado. Dessa forma, o professor pode atender a um número maior de alunos concomitantemente, além de poder aliar ao estudo anatômico outras ferramentas, como casos clínicos e exames de imagens (Radiografia, Tomografia Computadorizada, Ressonância Nuclear Magnética, Ultrassonografia).
O Laboratório também está em uma posição desatualizada frente às novas formas de conservação de cadáveres. Dentre as técnicas de conservação mais modernas, está a plastinação. O departamento de anatomia de Heidelberg e, depois, o de Viena, foram os primeiros a utilizar peças plastinadas em seus laboratórios. Desde então, várias aplicações educacionais para essas peças têm sido descritas. Podem ser usadas através da plastinação, secções de órgãos e/ou partes do corpo para desenvolver melhor entendimento de exames de imagem. Essas secções podem ser usadas para compor animações realistas e baratas através de modelos plastinados de órgãos. Alguns também podem ser concebidos com o objetivo, por exemplo, de se treinar de forma individualizada as técnicas endoscópicas e/ou habilidades em cirurgia. Na UFMS, foi adquirido material importado para implantação de um laboratório de plastinação. Todavia, é necessária ampliação do espaço físico do prédio, que aguarda liberação de verba e licitação.
Estudo realizado comparando-se o rendimento dos alunos de Anatomia Humana com peças plastinadas e com peças úmidas fixadas com formol demonstrou melhor desempenho dos estudantes que aprenderam com peças plastinadas, confirmando a eficácia da sua utilização para o aumento da qualidade da educação. Contudo, se visa à substituição da dissecação ou não, ainda é ponto de divergência entre autores.
Dentre outras técnicas, ainda é possível pontuar a glicerinação, menos tóxica que o formol e já utilizada no laboratório da UFMS, mas que tem manejo prejudicado devido ao calor do espaço, que não contém refrigeração.
A dissecação de cadáveres é muito importante para a formação de futuros médicos, sendo visto que a maioria das escolas que abandonou a dissecação, mais tarde, acabou voltando em sua decisão e reinserindo-a na grade de ensino. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a Universidade de Nova York, na qual a contemplação isolada foi substituída pela dissecação rapidamente, pois a carência no aprendizado dos estudantes foi claramente perceptível nos anos seguintes à substituição da dissecação pelas peças previamente dissecadas. Na UFMS, as atividades de dissecção são impossibilitadas pela falta de peças novas e pela falta de pessoal de suporte para manutenção das atividades. A carência de técnicos no laboratório ainda encerrou as tradicionais monitorias aos sábados, que eram realizadas desde a abertura do curso de medicina na UFMS e sempre foram consideradas importantes ferramentas de aprendizagem por parte dos alunos.
Outro obstáculo encontrado é a necessidade de revisar as formas de aprendizagem de anatomia, no intuito de permitir que o estudo clínico e a pesquisa sejam aliados na manutenção de um espaço voltado para o conhecimento. Atualmente, apenas 1 professor da Faculdade de Medicina leciona no espaço, sendo necessária uma agregação maior da anatomia ao longo do currículo do curso. Aproximar as atividades dos programas de residência, ciclo clínico e internato do laboratório já é prática comum nos mais diversos centros de educação no Brasil e no mundo, realidade ainda distante na UFMS. Trazer imagens de exames modernos como a ressonância magnética para o laboratório também tem vantagens. Um projeto na Escola de Medicina de Mount Sinai, em Nova York, agregou imagens de RNM multiplanares ao ensino com peças cadavéricas. Essa tecnologia permitiu que os alunos complementassem os conhecimentos anatômicos observando as camadas do corpo humano por meio das imagens de RNM.
Demandas
Nesse contexto, é possível delinear demandas para melhoria da qualidade do laboratório e que possam ser implementadas pelas autoridades competentes:
● Obtenção de Corpos:
○ Restabelecer, em caráter emergencial, o diálogo com o Serviço de Patologia do HU e o IMOL.
○ Aprovar o projeto de doação de cadáveres atualmente em tramitação
● Manutenção das Peças:
○ Implementação da reforma para viabilizar o Laboratório de Plastinação de Peças anatômicas
○ Colocação de Sistema de refrigeração em todos os espaços
● Condição física da sala:
○ Aquisição e instalação de aparelhos de TV individualmente às bancadas do laboratório
○ Aquisição de novos retroprojetores
○ Colocação de sistema de Áudio para microfone no Laboratório
○ Colocação de sistema de Informática no Laboratório, conectado às televisões
○ Aquisição ou reforma das mesas e dos bancos do Laboratório
○ Aquisição de sistema de Iluminação individual para as mesas do Laboratório
○ Aquisição de software ou plataforma para ensino de Anatomia
○ Retirada dos tanques de formol do espaço da sala de aula e melhoria da vedação dos mesmos
*Para implementação dos recursos é necessária melhoria da condição do sistema elétrico do laboratório.
● Recursos Humanos:
○ Contratação ou transferência de novos técnicos para o Laboratório
● Atividades de docência:
○ Mobilização do Corpo Docente do INBIO, FAMED e HU para utilização maior do espaço, promovendo sua valorização
○ Ampliar projetos de Ensino, Museu do Anatômico e contato com a comunidade externa
○ Retomada das monitorias aos finais de semana
○ Promoção de capacitação dos docentes em novas metodologias para o ensino de anatomia
○ Uso de metodologia EAD para aprimorar as monitorias e o ensino em anatomia
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