Abaixo-Assinado (#38919):
A história da Faus é cercada de acontecimentos históricos conflitantes. Por ser um curso ligado a expressão artística, uma das primeiras e mais constantes formas de censura é a que chega aos estudantes através dos interesses mercadológicos e conservadores, principalmente se tratando de uma universidade católica. Nos anos 80 a Faus passou por uma das maiores crises de sua história. Os alunos perderam o direito de acessar o prédio das 23h30 às 7h30 (naquela época, a Faus era a única instituição de ensino do país que funcionava 24h) e a direção da mantenedora cancelou o vestibular de Julho. A situação se agravou quando 12 professores foram demitidos. As atividades pedagógicas foram paralisadas e os estudantes promoveram ocupação e manifestações em pleno recesso acadêmico.
Novamente, a FAUS passa por momentos difíceis. Se engana aquele que acredita que essa é uma situação recente. Possuímos condições de infraestrutura desfavoráveis a realização das atividades acadêmicas: os laboratórios de informática não possuem os softwares necessários para realização dos trabalhos, não há espaço para armazenamento de materiais e maquetes, janelas estão quebradas e as pranchetas e cadeiras já não cumprem com sua finalidade pelo estado em que se encontram. Todavia, os problemas não se limitam a questão material. Estamos esgotados fisica, psicologica e emocionalmente e NINGUÉM nos escuta.
Fatores de ordem moral têm aparecido na base do cerceamento de nossa expressão artística e as reivindicações por melhorias e reclamações constantes têm sido ignoradas veementemente pela instituição. Estamos cansados de acatar as medidas de caráter impositivo e unilateral a qual somos submetidos e por este motivo nos faremos ouvir.
Seguem algum dos principais pontos que queremos esclarecimento e diálogo:
1. Voto direto dos estudantes: não compactuamos com o direito que nos foi retirado na escolha de nosso(a) coordenador(a), bem como não aceitamos que esse processo seja feito de forma impositiva pela instituição. Exigimos eleições diretas para o novo(a) coordenador(a) do curso, mediante organização de chapas e apresentação de propostas pelos docentes interessados ao cargo.
2. Contratação de professores: reivindicamos uma justificativa pelas recentes demissões de professores e exigimos sua recontratação. Eventuais contratações novas devem ser acompanhadas de um processo avaliativo por parte dos docentes pertencentes as sequências das disciplinas (exemplo: contratações na sequência de urbanismo devem receber consultas de professores de urbanismo). Assim como o posicionamento dos professores, ao passo que se igualam com qualquer outro setor de funcionário da universidade. Os professores são a base estruturante do curso, responsáveis pelo sistema pedagógico dentro e fora de sala de aula, desta forma necessitam de mais autonomia e voz ativa.
3. Liberdade de expressão: Acreditamos que em momento algum nossa expressão artística tenha ferido os valores morais intrínsecos da instituição e por este motivo a supressão de nossas intervenções nos faz questionar a real preocupação da universidade com problemas sociais e as questões coletivas;
4. Infraestrutura:
4.1. Informática: os computadores de nossos laboratórios não possuem todos os softwares necessários à realização das atividades acadêmicas, além de sua desatualização. O espaço para desenvolvimento de modelos existente é insuficiente. Necessitamos de ampliação da infraestrutura física e melhoria da infraestrutura já existente. Também a melhoria dos laboratórios de informática da faculdade de direito que não atende à demanda de mais de 1400 alunos, o que reflete no em nosso prédio, à medida que eles necessitam frequentemente utilizar nosso laboratório para suas atividades. A universidade preza pelo uso coletivo dos espaços, entretanto não podemos utilizar o laboratório de informática no prédio da direito pois não há os softwares necessários para a realização de trabalhos do curso de arquitetura e urbanismo, esta integração não existe na prática, apenas discursivamente.
4.2. Atelier: janelas quebradas que permitem a entrada de chuva. Insuficiência de climatização dos ventiladores (velhos e poucos). Pranchetas inadequadas para uso além de existência excessiva de cupins no ambiente. Tomadas apenas nas extremidades do atelier, é necessário instalação na parte interna também. Apenas duas mesas de luz, sendo uma com metade das lâmpadas queimadas. Insuficiência de espaço para exposição de trabalhos – abrangendo o edifício como um todo – e trabalhos em andamento.
4.3. Laboratórios: laboratório de modelos não cumpre a funcionalidade que deveria. Mesa de corte não apropriada para corte, é improvisada uma base com papel tipo paraná ou roller e vidro que foi retirado da janela no momento da reforma do espaço. Uso extremamente limitado, ao passo que só é permitida a entrada com roupa adequada mas não de uso casual dos alunos (calça, sapato fechado, blusa de manga) ao passo que vivemos no litoral e as temperaturas são elevadas, como solução o responsável pelo laboratório deve providenciar uniformes tipo macacão para uso livre dos alunos quando não estão previamente vestidos de acordo. Além do espaço insuficiente, o curso tem mais de 300 alunos e este laboratório possui 27 bancos. O uso do Laboratório de artes visuais é muito cobrado pelos alunos para realização de trabalhos mais voltados à uso de determinados materiais, entretanto o laboratório fica boa parte do tempo fechado, alegando-se a necessidade de monitores no espaço quando aberto para uso dos alunos.
4.4. Biblioteca: extremamente desconfortável no sentido de conforto térmico, na medida que a climatização é muito fria e impere a concentração nos estudos. Má disposição de prateleiras e mesas para leitura/estudo, o que impede o conforto nos estudos. Nossa biblioteca está saturada com nossos próprios livros, periódico, revistas, e ainda possuímos dois corredores apenas com os livros da direito, desta forma é necessária a ampliação da biblioteca deles, visando q insuficiência de espaço que eles possuem.
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