Abaixo-Assinado (#3971):
Vítima apanha de mulheres e morre três dias depois na UTI
Cristiane de Oliveira Barrado tinha 24 anos, era separada, tinha uma filha de 2 anos, um emprego fixo, era bonita e querida pelos amigos e familiares. Na quinta-feira, dia 20, participava da festa do Dia da Consciência Negra na Praça Cel Joaquim José e assistia aos shows da noite. Cristiane estava acompanhada do namorado e era uma pessoa cheia de vida, participante de eventos locais. Recentemente foi uma das modelos de um panfleto de divulgação de uma loja local. Trabalhava numa revenda de celulares, e na última semana estava numa das lojas da empresa no início da rua Ademar de Barros.
Na noite de quinta-feira, dia 20, Cristiane c foi agredida por três mulheres e ficou muito machucada.
Na madrugada de segunda-feira, em decorrência dos ferimentos recebidos e agravados, Cristiane morreu na UTI da Santa Casa Carolina Malheiros.
A SURRA
Cristiane estava na noite do feriado de quinta-feira, dia 20, com o namorado, na Praça da Catedral, assistindo ao show em comemoração ao Dia da Consciência Negra. A jovem sabia que o namorado estava recebendo mensagens no seu celular de sua ex que se mostrava inconformada com seu novo relacionamento.
Pouco antes das 22h00, a vítima avistou a ex de seu namorado, se aproximou, chamou-a de lado e pediu que ela parasse com as mensagens. Não houve discussão, a conversa foi somente entre as duas, rápida e educada.
Pouco depois, três amigas da ex-namorada do atual namorado de Cristiane se aproximaram, e uma delas já chegou provocando e “tirando satisfações” e partiu com as outras duas para a agressão. O namorado de Cristiane ainda tentou intervir, mas as três conseguiram derrubar a vítima no solo e a agrediram com soco e pontapés. Separadas e socorrida, Cristiane foi para casa.
A MÃE
Muito abalada com a morte da filha, Dona Milza disse que quando chegou em casa Cristiane contou como narrado acima o que tinha acontecido. Queixava-se de dores no corpo e na cabeça pelos golpes recebidos. “Minha filha era muito boa, tinha boa formação moral e religiosa e não mentiu para mim. Quando foi falar com a ex-namorada, não fez escândalos, chamou-a de lado para que ninguém soubesse o que estava acontecendo, não havia necessidade para tanta brutalidade. Era só pediu que as ofensas e as mensagens parassem”.
Na sexta-feira, Cristiane foi trabalhar na loja de celular da rua Ademar de Barros. Sua mãe afirmou que ela sentia mal, queixava-se de muitas dores pelos golpes recebidos. Ao fim do expediente procurou o Pronto Socorro. Foi medicada e dispensada.
No sábado, mesmo sofrendo com as conseqüências do espancamento sofrido, Cristiane não faltou ao serviço. Após a jornada de trabalho procurou o Pronto Socorro, segundo sua mãe em duas oportunidades. Foi medicada e recebeu um encaminhamento para passar por Neurologista. Como era fim de semana, a consulta seria marcada na segunda-feira.
No domingo, como as dores de cabeça não melhoravam, e o estado de Cristiane piorava e ela chegou a vomitar sangue, sua mãe disse que um de seus irmãos a acompanhou novamente até o Pronto Socorro no final da tarde. Cristiane foi então encaminhada para a Santa Casa e internada na UTI.
NA POLÍCIA
Um dos irmãos de Cristiane e o namorado procuraram então o plantão policial para registrar a surra imposta pelas três mulheres à vítima. Os dois disseram que o estado de saúde de Cristiane era grave e que foram informados que em decorrência de uma fratura na região da cabeça ela apresentava um edema no crânio. O irmão e o namorado da vítima informaram ao policial José Roberto Braido que as mulheres que surraram Cristiane conheciam pelos nomes de Raiana, Ariane e Michele, e que a ex-namorada era Débora.
Depois do registro da ocorrência no plantão policial, no início da manhã de segunda-feira, a Santa Casa avisou que Cristiane infelizmente havia falecido.
Cristiane Oliveira Barrado foi sepultada no final da tarde de segunda-feira, dia 24, no Cemitério de São João Batista.
As investigações sobre os fatos que culminaram com sua morte estão sendo investigados pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), conforme o boletim de ocorrência de “lesão corporal seguida morte”.
Ontem a Delegada Titular da DDM, Dra. Denise Aparecida Dias já tinha ouvido várias pessoas e deverá ser encaminhado ao Fórum depois de concluído.
Família fica indignada com fim da prisão e pede justiça
LUIZ GUSTAVO
GASPARINO
lgustavo@omunicipio.jor.br
Após sair o mandando de prisão por homicídio doloso, na quinta-feira, dia 11, das quatro jovens envolvidas na agressão que vitimou na morte da vendedora Cristiane de Oliveira Barrado, de 24 anos, o juiz da 2ª Vara, Heitor Siqueira Pinheiro, resolveu revogar a prisão das meninas, a qual havia sido concedida pelo juiz Danilo Pinheiro Spessotto a pedido da Polícia Civil e do Ministério Público.
Segundo os advogados de defesa das acusadas Débora Priscila da Silva, Michelly Ferreira Dota, Ariane Rabello Montouro e Raiana Carla Gomes de Oliveira, que estavam foragidas, o pedido da revogação foi feito com o fundamento que elas irão se apresentar nos próximos dias.
O crime teria acontecido porque Débora, ex-namorada do namorado de Cristiane, teria instigado as outras três meninas a espancarem a vítima na praça Joaquim José, durante um evento em comemoração ao Dia da Consciência Negra, no dia 20 de novembro, por não gostar da relação do casal.
O promotor Nelson de Barros O’Reilly Filho não concorda com a decisão do juiz, pois a prisão temporária de 30 dias das meninas por homicídio doloso duplamente qualificado foi pedida por se tratar de crime hediondo. “Elas eram imprescindíveis nas investigações e as testemunhas estavam temerosas a depor enquanto estivessem soltas”, diz.
Enquanto isso, a família de Cristiane clama por justiça. A mãe Milza do Lago Barrado, de 57 anos, e os irmãos Lucimar de Oliveira Barrado Junior, de 35 anos, e Flávio de Oliveira Barrado, de 31, esperam punição para àquelas que, segundo eles e os fatos, tiraram a jovem vida de Cristiane. “Esse resultado está nas mãos das autoridades, mas queríamos que isso fosse feito de forma mais rápida e dentro dos padrões”, conta Junior.
O irmão mais velho da vendedora não gostou da decisão do juiz em revogar a prisão das meninas, mas diz que não há um sentimento de revolta. “Nossa família está chocada. Foi uma morte de forma brutal, grotesca, covarde e isso não pode se repetir. A justiça tem que por um basta nisso, pois São João é uma cidade pacata e não pode tolerar este tipo de situação”.
Junior acredita que, por estarem soltas, as acusadas podem estar coagindo e ameaçando as testemunhas, além de oferecer riscos às pessoas que estão em suas voltas. Mas a família não perde a esperança. “Não estamos desanimados com a revogação, mas vamos fazer nossa parte e acreditar na verdade. Vamos até o fim e não vamos desistir, colaborando em tudo que for possível, em memória da morte da minha irmã”, ressalta.
O rapaz está acompanhando todos os passos do caso e, pelo que já analisou, não há como tirar a culpa, pois elas estão muito ligadas na morte. “Essas pessoas precisariam estar presas para que a sociedade fosse protegida. Elas soltas nos traz aquela sensação de impunidade e isso é inaceitável”, comenta.
OS DIAS
Neste sábado já se faz 26 dias da morte de Cristiane. Nos primeiros dias, tudo foi muito forte, segundo a família. “A gente fica indignado, não sabe para onde recorrer, mas acreditamos na justiça divina. Não desejo para ninguém o que minha família passou e está passando”, lembra a mãe Milza.
Com o passar do tempo, tudo ainda está sem respostas, mas deixar na mão das autoridades os consola, na opinião de Junior. “Cada dia está sendo mais terrível, aumenta a saudade e estamos com aquela preocupação, agora com a revogação. O que vai ser da cidade se elas ficarem soltas? A sociedade está com medo”, frisa.
Quanto às mensagens que Cristiane recebia da ex-namorada de João Gabriel pela internet, a mãe chegou a lembrar da filha contando. “Ela comentava comigo, dizendo que a Débora estava passando dos limites”.
O irmão também lembra das mensagens, mas defende que sua irmã não teria provocado a briga. “Sabíamos que havia certo incômodo, mas ela não foi tirar satisfação. Minha irmã nunca foi de briga, é conhecida na cidade como uma pessoa honesta, trabalhadora, cuidava muito bem da filha, idônea e de bom caráter”, relata.
Junior espera que nos próximos dias novas respostas apareçam, afirmando que jamais vai desistir de lutar. “Não quero vingança, só penso em Justiça. Os dias são cada vez mais difíceis, mas vamos lutar de todas as formas para que isso não fique impune e esquecido. Elas (as agressoras) são maus exemplos para a sociedade e, neste momento, tinham que estar recolhidas para responder o que fizeram”, conclui.
Família revela mágoa com namorado
Em depoimento colhido na Polícia, o irmão Flávio de Oliveira Barrado disse que a família não gostava do namorado de Cristiane, por não terem boas informações das pessoas com quem ele se envolvia, vindo, na opinião de Junior, acontecer o que aconteceu. “Não temos nada contra o João Gabriel, mas não tínhamos intimidade com ele, apenas receio. Ele simplesmente vinha, deixava minha irmã na porta e ia embora. Chegamos a alertá-la, mas é apenas aquela preocupação de qualquer pai e mãe”, conta Junior.
Os dois namoraram apenas 20 dias. João Gabriel foi visto pela última vez no velório de Cristiane e não procurou mais a família, que ficou com muitas dúvidas de tudo que aconteceu. “Tem certas coisas que não consigo entender, como não levar minha irmã no PS, no mesmo dia, se ela disse que estava sentindo dores; não procurou mais a família para ver se precisávamos de alguma coisa. Ela morreu, a vida segue, mas ele esqueceu que há uma família por trás da Cristiane, talvez um telefonema de consolo, uma palavra amiga”, salienta o irmão.
“Mas a gente deixa nas mãos de Deus e na consciência dele. É um direito seu permanecer calado e, repito, não temos nada contra ele. O que se passou naquela praça ficou entre ele e a Cristiane e acreditamos na verdade do depoimento dele. Não estamos aqui para julgar”, finaliza.
Finalizando, as 4 'moças' que cometeram essa atrocidade continuam a solta.
Peço ajuda a todos para que unidos busque-mos a justiça. Não podemos deixar que saiam impunes. Justiça JÁ!
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