Abaixo-Assinado (#3978):
Caros Rubens e Vânia.
Este documento foi elaborado para registrar o descontentamento de parte da turma em relação aos rumos que os TCCs estão tomando em nosso ano. Acreditamos que este trabalho final representa uma ultima grande oportunidade de desenvolver um trabalho curricular. Porem, devido às especificidades do curso, existe um numero limitado de trabalhos práticos, o que acaba criando certa concorrência entre os estudantes. Nossas criticas e propostas buscam deixar o processo mais justo, beneficiando o maior número de pessoas possível.
O descontentamento se dá pela seguinte razão: apenas 4 roteiristas em um universo de 11 alunos da turma de especialização têm projetos propostos oficialmente. Sendo que apenas 2 roteiristas são responsáveis por 7 de um total de 9 projetos (77% do total de projetos para 18% da turma de roteiro). Consideramos projetos propostos oficialmente aqueles que possuem diretor (aluno da turma de direção) que tem tal projeto como seu TCC.
Depois de analisarmos o caso chegamos à conclusão de que tal distorção se deve à norma de produção que regula os TCCs:
- Apenas alunos matriculados na turma de direção pode dirigir um TCC.
Apesar de tal regra ser coerente com a estrutura atual do curso, ela é responsável por criar uma situação em que os diretores ganham poderes e privilégios que prejudicam o resto da turma. Poderes que julgamos excessivos e arbitrários, pois estão nas mãos de pessoas que teoricamente não deveriam ter autoridade sobre as demais.
Um diretor pode, por exemplo, propor um projeto de um determinado roteirista usando seus próprios critérios de escolha. Ele tem, portanto, um lugar assegurado, pois seu projeto já cumpre o pré-requisito básico (ser proposto como TCC por um diretor da turma de especialização). O roteirista não pode, por exemplo, ter um projeto seu aprovado caso nenhum diretor se interesse. Ele terá que conversar com os diretores que terão poder de vida ou morte sobre seu projeto. Se nenhum especializando de direção julgar um roteiro bom , ele não será produzido.
A questão é:
- Os diretores têm legitimidade de tomar tal decisão?
O que acontece é que os diretores ficam em posição de superioridade em relação aos outros. Eles acabam fazendo um “edital” com os roteiristas: recebem projetos e decidem se vão ou não virar os chefes do projeto. Portanto, os roteiristas precisam competir entre si pela simpatia de um diretor, que assiste a tudo em sua posição confortavelmente assegurada institucionalizada.
Essa suposta competição até poderia ser saudável se existisse de fato. O problema é que os roteiristas não brigam por espaço em pé de igualdade. Os diretores claramente possuem preferências em relação aos roteiristas, ou têm preguiça de considerar novas propostas. Especificamente na nossa turma, o que aconteceu foi que 4 diretores já fecharam seus projetos com um mesmo roteirista com muita antecedência, não se mostrando abertos a novas propostas. Os roteiristas que tentavam conquistar um espaço junto a essas pessoas viram-se ignorados, gerando uma posição constrangedora e humilhante. Os que responderam, alegaram que era injusto reivindicarmos um espaço, pois eles, como diretores, tinham que ter “tesão” pelo projeto e não poderiam simplesmente dirigir um roteiro que ele gostasse menos, mesmo que isso represente roteiristas excluídos do TCC.
De fato não podemos forçar os diretores a fazer algo que eles não querem. Isso geraria mal estar entre os roteiristas e má vontade por parte dos diretores.
Depois de muitas discussões chegamos ao que nos parece ser a única saída:
- Alunos que não são da turma de direção podem dirigir TCCs.
Assim acabaríamos com os privilégios dos diretores e seus poderes arbitrários sem restringir seus direitos.
Qualquer projeto teria condições de concorrer com os demais, havendo uma maior variedade de roteiros. Os diretores, portanto, teriam que apresentar mais competência ao propor a realização de um filme, colocando-se em uma situação menos cômoda.
Para evitar a proliferação de roteiristas-diretores, sugerimos que roteiristas sejam impedidos de dirigir seus próprios roteiros, ou tenham que dirigir em duplas com uma outras pessoas.
Diretores estariam concorrendo diretamente com mais pessoas, eles então se obrigariam a analisar novas propostas, mais consistentes, em vez de se acomodar em projetos bastante similares ao de seus “concorrentes”.
Outra medida que poderia deixar o processo ainda mais justo seria estender a todos a possibilidade de escrever roteiros. Pela lógica, alunos da turma de roteiro estariam em vantagem por terem feito 2 semestres de especialização, não havendo assim necessidade de uma regra que defina isso. Diretores poderiam assim apresentar seus próprios roteiros para dirigir, não precisariam, portanto, se esconder atrás de um “laranja” especializando em roteiro, outra distorção do processo.
Enfim, esperamos que fique claro que tudo o que queremos é ter a oportunidade de defender e discutir nosso projetos com a turma e os professores. De pelo menos poder conversar seriamente sobre eles.
São Paulo, 9 de março de 2009.
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