Abaixo-Assinado (#40813):
São Paulo, 1º de maio de 2017.
Prezado ex-Presidente Lula,
Esperamos que esta carta lhe encontre bem, com saúde, esperança e a disposição de sempre para lutar.
Quem lhe escreve neste 1º de Maio são trabalhadoras/es que atuam na educação pública da Rede Municipal de São Paulo. Somos agentes de apoio, auxiliares técnicos de educação, professoras/es, coordenadoras/es, diretoras/es e supervisoras/es e temos em comum a certeza de que por meio da educação é possível transformar vidas e a sociedade. Nossa participação política é diversa, somos filiados a partidos distintos, simpatizantes ou apoiadoras/es das forças progressistas e dos movimentos sociais e populares.
Temos divergências de concepções e estratégias. Acreditamos na necessidade da crítica e autocrítica a respeito do que estamos vivendo, porém sabemos que o momento é de união pela Democracia e contra os retrocessos. Estamos juntos na indignação contra a injustiça e pela construção de um Brasil para todas e todos, com coragem de enfrentar o seu passado escravocrata e a concentração de renda, revertendo desigualdades socioeconômicas e possibilitando uma vida com dignidade para todos os cidadãos deste país.
A sua prisão, de forma arbitrária, desrespeitando todos os prazos e trâmites habituais, tem o claro objetivo político-eleitoral de impedir que o candidato que lidera as intenções de voto, seja eleito e governe em defesa dos mais pobres, da diversidade, da defesa da soberania nacional e da revogação das reformas neoliberais do Governo Golpista. Enquanto isso, assistimos ao arquivamento de processos e a blindagem de homens públicos que foram indiciados ou confessaram em gravações divulgadas amplamente nas mídias, esquemas de corrupção, fraudes processuais, entrega do patrimônio público, além de outros crimes.
Como educadoras e educadores queremos lembrar o que foi feito durante seu Governo pela educação em nosso país: ampliação do acesso ao ensino superior, ampliação da rede de Universidades e institutos Federais, Plano Nacional de Educação, Piso Nacional do Magistério, Lei 10.639 e 11.645, políticas de ação afirmativa, Programa Ciência Sem Fronteiras, PRONATEC, a destinação dos royalties do Pré-Sal para a educação, os 10% do PIB e mais. Ainda é necessário avançar muito, mas hoje sabemos que é possível ter a educação como prioridade no orçamento e não apenas no discurso.
Os retrocessos após o Golpe de 2016 são evidentes, com cortes em todas as áreas e aprovação de reformas (terceirização e trabalhista) que precarizaram ainda mais nossas condições de trabalho. Para os que hoje ocupam ilegitimamente o poder a educação não é mais uma prioridade, haja vista a aprovação da Emenda Constitucional nº 55 que limita e congela os gastos em educação, saúde e outras áreas sociais, assim como a entrega do Pré-Sal às petroleiras estrangeiras. O que nos move é a certeza de que quem poderá reverter esse quadro de descaso e abandono são as forças progressistas que nesse momento estão ao seu lado em vigília e luta democrática.
Não queremos alimentar o ódio. Almejamos a verdadeira justiça social. Reafirmamos ainda que mesmo que tentem nos intimidar, como fizeram assassinando a vereadora Marielle Franco, batendo em educadores/as na cidade de São Paulo, com a sua prisão e tantos outros arbítrios, não nos calarão. Como você mesmo disse, não há prisão que prenda nossos sonhos ou mate a ideia de construir outro Brasil.
Ocuparemos todos os espaços com altivez e a certeza de que estamos do lado certo da História.
Um forte abraço, estamos na luta!
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