Abaixo-Assinado (#4636):

Pela manutenção do modelo de vestibular utilizado pela UFRGS nos concursos anteriores.

Destinatário: Magnífico Reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

Nós, abaixo-assinados, vimos expressar nossa inquietação e nossa angústia
pela possibilidade de aplicação de novas regras no processo de seleção para
ingresso na UFRGS em 2010.

Esta preocupação resulta de uma série de fatores que consideramos terem
sido brutalmente desprezados pelas autoridades do MEC na implantação do
ENEM, além dos métodos de pressão pouco ortodoxos utilizados sobre as
instâncias de poder das universidades públicas. Entre estes fatores, gostaríamos de destacar:

- A absoluta ausência de diálogo prévio com as instituições representativas,
sejam as universidades, as secretarias de Educação, os centros de professores e as entidades estudantis, numa forma de autoritarismo inaceitável para uma sociedade que intenta ser democrática.

- A imposição de um modelo de seleção que se põe à margem de todo o sistema de Ensino Médio (seja público ou privado) até então vigente. Este, como é natural, tem sua estrutura e funcionamento voltados para um tipo de vestibular cujo paradigma, entre nós, é o da UFRGS. Portanto, se realmente for desejável que essas mudanças ocorram, que se estabeleça um horizonte mínimo de três anos para que todo o Ensino Médio possa se adequar às mesmas em termos de currículo e de organização pedagógica.

- Provas de natureza nacional não poderão, obviamente, tratar de assuntos
regionais. Não devemos esquecer que, nos anos de 1980 a 1990, criaram-se no estado condições objetivas para que questões de História, Geografia e Literatura exigissem dos alunos um olhar atento sobre a realidade local. Se adotarmos aqui exames elaborados sob a ótica ideológica do centro do país, todo esse esforço será perdido, fazendo com que uma árdua conquista da comunidade riograndense se desmanche no ar.

- Hoje sabidamente há diferenças de qualidade de ensino entre as várias
unidades da Federação. O Rio Grande do Sul já não ocupa um lugar privilegiado no ranking dos melhores sistemas educacionais de Ensino Médio. O que impedirá, portanto, que alunos de outros estados, mais bem preparados e mais bem aquinhoados economicamente, ocupem de forma maciça as vagas dos cursos em que a disputa é mais acirrada?

- No modelo do ENEM não há indicações de obras que os candidatos devam ler. Ora, como é de domínio público, a lista de leituras indicadas pela UFRGS tem servido para orientar os alunos no que tange à Literatura Brasileira e à Literatura Sul-Rio-Grandense, estabelecendo um guia seguro daquilo que será cobrado com maior intensidade do vestibular e fazendo aumentar espetacularmente os índices de leitura entre os estudantes do Ensino Médio. Por que perder tudo isso?

- Durante os últimos quarenta anos não houve, em momento algum, qualquer
suspeita sobre a lisura sobre os vestibulares feitos pela UFRGS. Durante
quarenta anos não houve uma denúncia sequer de vazamento sobre questões
das provas, ou sobre vendas de gabarito, ou sobre qualquer forma de ato ilícito.
O fato é extraordinário e gera uma dúvida coletiva entre os vestibulandos: é
possível que um vestibular de dimensão nacional, feito em Brasília (uma das
cidades mais corruptas do mundo), não por um órgão público, mas por uma
fundação, mantenha os princípios da inviolabilidade, do sigilo e , portanto, da
igualdade entre os candidatos?

Estas são as nossas angústias, Magnífico Reitor, e face a elas solicitamos
que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul mantenha o seu tradicional
vestibular, como forma única de acesso à universidade com que todos sonhamos.

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