Abaixo-Assinado (#50511):
Estamos, atualmente, assistindo videoaulas sobre a disciplina intitulada “Educação e Trabalho”. Escrevemos para indagar a necessidade de tal matéria (e semelhantes) na grade curricular de Bacharel em Teologia. A matéria não contribui, ao nosso ver, nem mesmo se relaciona ao sucesso do desempenho do Teólogo como profissional. Seu conteúdo se mostra fortemente alienado á uma forma de pensamento pré-estabelecida, diagnosticando o contexto da sociedade sob um prisma unilateral. Pensamos ser o desafio de todo educador levar seus alunos à independência intelectual, isto é, a capacidade de julgar por si mesmos em que consiste os problemas sociais ao seu redor e como contribuir para saná-los. Nossa insatisfação não é dirigida à pessoa da professora, cremos que nem mesmo ao conteúdo da dita disciplina. A professora está sendo profissional em transmitir o que recebeu. E o que ela recebeu é uma forma de ver a sociedade que, ao ser colocada ao lado da proposta do curso de Teologia, realça um grande contraste. Por isso, esclarecemos que nossa insatisfação está não em “como”, não em “por que”, mas sim “para quem”. Para quem esta matéria deve ser ministrada? Será mesmo que seu conteúdo deve fazer parte do acervo de pensamentos do Teólogo?
Trazemos aqui exemplos de como isso pode ser evidente e, por conseguinte, grave para a formação do aluno. Na terceira aula, quando a professora começa a mencionar a “contribuição” de Charles Darwin para a ampliação do dilema entre a fé e o conhecimento científico, após mostrar o trecho de um filme sobre o cientista, ela diz:
“E a escola? Qual é o papel da escola nesse sentido? Com qual tipo de conhecimento a escola deve trabalhar? Cabe a escola reforçar o que é mito, o que é dogma, o que é conhecimento popular? Ou cabe a escola trabalhar com conhecimento científico, com conhecimento elaborado? Pensem sobre estas questões. E dependendo da resposta, essas respostas terão desdobramentos…”
(Aula 3, “Mudanças no mundo do Trabalho e na Educação”, minuto 45)
Depois, falando sobre o papel do professor diante desse dilema, ela continua:
“Ou ele pode ser um professor que afirme determinadas coisas, conhecimentos, ideias, como dogmas prontos e acabados, ou ele pode ser um professor que baseia sua perspectiva pedagógica no princípio da pesquisa, da investigação, da busca do conhecimento científico.”
(Aula 3, “Mudanças no mundo do Trabalho e na Educação”, minuto 46)
E, já no fim da aula, ela reforça o que é “conhecimento científico”:
“É bom apenas que nós reforçamos cada vez mais a ideia do que é o conhecimento científico. Quando falamos em conhecimento científico, estamos falando de epistemologia. Epistemologia diz respeito á esse conhecimento que tem por base a razão, que tem por base a experimentação. O conhecimento científico, ele é o conhecimento gerado por meio da experiência, ele é provado, ele é comprovado.”
(Aula 3, “Mudanças no mundo do Trabalho e na Educação”, minuto 46)
Acreditamos que, qualquer pessoa – mesmo que pouco letrada – consegue entender que a definição de conhecimento científico, defendida pela professora, não inclui aquilo que também não é incluído nas eufóricas descobertas de Charles Darwin. Não sabemos como o ponto de vista darwiniano pode contribuir para a boa atuação profissional de um Teólogo. Também cremos que, uma vez que estamos falando de Teologia, não faz o mínimo sentido exporem os alunos às aulas, ideologicamente inspiradas por conceitos da natureza, e pre-conceitos sobre o pensamento teísta, dados por homens que não compartilham nem o mínimo de fé que se espera para uma possível contribuição ao pensamento teológico.
Na disciplina intitulada “Introdução à Teologia”, vemos outra professora definir o assunto do curso como Theos + Logos (Teologia), isto é, o Estudo da Divindade. Mais adiante, na aula 4 , ela diz:
“No entanto, independente do local onde o teólogo exerça suas atividades, seu principal foco será o povo de Deus”
(Aula 4 “Os Principais Métodos do Estudo Teológico”, Tema 01, Níveis da Teologia).
Sem mais exemplos (não por falta deles), mostramos como é diferente a proposta da disciplina, intitulada “Educação e Trabalho”, em relação ao que se espera do curso de Teologia. Mesmo um aluno que ingresse no curso por mera curiosidade, tem consciência do mínimo de fé necessária para continuar. Mas cremos que nossa crítica está permanecendo tempo demais neste tópico.
Vemos a necessidade de acrescentar o considerável realce que a professora dá aos ensinos do filósofo Karl Marx. Reconhecemos suas contribuições para a sociologia, para a formação das ciências sociais, para o endossamento da perspectiva das diferentes classes sociais. Até o respeitamos pelo seu otimismo em uma futura vitória, na suposta luta entre os “capitalistas e operários”. Mas, lamentavelmente, ele mesmo diz que
“A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo. A abolição da religião, enquanto felicidade ilusória dos homens, é a exigência da sua felicidade real.”
(Karl Marx, 2005. Crítica da filosofia do direito de Hegel. pp. 146/147)
Se a base da teologia é a fé – não em qualquer coisa, mas em um ser Divino – então como as ideias de Karl Marx podem contribuir para o nosso conhecimento teológico? Todos os seus ensinos, por mais inovadores e brilhantes que parecem, caminharão, tendo como ponto de vista, revolucionar (principalmente no sentido literal) o mundo exterior das pessoas, enquanto que a fé – capaz de transformar o interior (e também o exterior) – fica de lado como uma simples “muleta de equilíbrio para o oprimido”.
Concluímos pedindo que, se nossa opinião é considerada nesta universidade, diga-nos de que forma o conteúdo ministrado na matéria intitulada “Educação e Trabalho” pode, ao menos, se relacionar com o esqueleto do curso a que pertencemos, e como pode contribuir para fazer de nós profissionais melhor qualificados, enquanto teólogos. Acreditamos, em última análise, que esta disciplina (como outras semelhantes) não se detém na transmissão de conhecimentos sem fazer uso da doutrinação. Dito isso, pedimos a reavaliação da grade curricular do curso, tendo em vista a retirada das disciplinas que lançam mão de fontes marxistas, visto ser estas contrárias (por princípio) às doutrinas das sagradas escrituras – objeto máximo de estudo da Teologia.
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