Abaixo-Assinado (#54549):
Os cidadãos abaixo-assinados, brasileiros, residentes e domiciliados em Porto Alegre e Região Metropolitana, solicitam a Vossa Excelência que a maior pista de Skate da América Latina, a ser inaugurada brevemente e situada na orla do Lago Guaíba, em Porto Alegre/RS, tenha o nome de “Rochelle Fraga Benites”, mulher que deixou um legado no skate gaúcho.
Quem foi Rochelle Fraga Benites?
Rochelle foi a primeira mulher a levantar a bandeira do Skate na década de 1990, no Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre/RS. Apaixonada pelo esporte e superando qualquer tipo de preconceito, enalteceu a importância do skate na sociedade, o seu papel como relevante meio de inclusão social, como também os benefícios que essa atividade desportiva proporciona na vida dos praticantes. Defendeu a democratização da prática do esporte, ensinando mais de mil pessoas a andar de skate gratuitamente.
Rochelle também foi uma importante ativista na luta pela doação de órgãos, inclusive fundando o incrível “Projeto Vida em Jogo”. Estava na fila de espera de um transplante pulmonar duplo, contudo, veio a falecer no dia 19/08/2021, em sua residência.
Ela começou a andar de skate por volta do ano de 1993, aos 16 anos, no parque Marinha do Brasil. Inovadora, incluiu a categoria feminina no skate, promoveu eventos e campeonatos de Skate na referida pista. Implementou, junto com Maurício Desimon, Adu Marzo, Birica Golden, Ruanã Drummond (in memoria), e demais amigos, o estilo Surf Style. A modalidade Surf Style se assemelha às manobras de surfe no mar. Este grupo, também, tem o mérito de ter realizado o primeiro Campeonato da Modalidade Surf Style, no Parque Marinha do Brasil, entre outros campeonatos.
Rochelle também participou da idealização e construção da pista de Skate do IAPI - uma importante pista de Skate de Porto Alegre, que segue o estilo Street. O Street é aquela modalidade em que a pista simula obstáculos de rua com escadarias, rampas, corrimões etc. Na época, a pista foi inaugurada com a presença de autoridades, como o Prefeito Tarso Genro.
Foi a fundadora do Projeto "Acesso Radical Skate Para Todos" onde ela ministrava aulas gratuitas de skate.
Em 21 de março de 2017, Rochelle escreveu no blogspot do Acesso Radical:
“O skate nos escolheu ,escolheu cada um que está lendo este texto. Chega de proliferar esta psicosfera de negativismo, precisamos de pessoas a atitudes positivas no Mundo. Chega de pessoas que não nos representam porque sinceramente não estão na tua pele e nunca estarão. Somos uno no coletivo.
Estamos no Catarse um crowfuding muito interessante olha lá, fortalece nossa rede com tua grana, com teu estímulo, com tuas palavras ...não teus julgamentos. Guarda pra ti ou libera ,o tempo passa muito rápido para sermos em vão. Lutamos e lutamos sim ,pelo skate ,pela vida por 1 oportunidade que naquele momento pode mudar tudo ! E nós buscaremos ela porque acreditamos, caímos mas levantamos o skate ensina isso - 1 regra.
A classe e bastante miscigenada devido as vertentes e diretrizes mas todos amam o skate e mais um monte de esporte legal que tem aí, e tem que experimentar, se permitam!
Nos ajudem a prosseguir não queremos a pesca , queremos pescar !
Nossa equipe arrisca mesmo, porque acreditamos acima de tudo !
Esse é o nosso Skate .Porto Alegre - Parque Marinha do Brasil - Catarse - me.”
Para alegria de Rochelle, o skate estreou como esporte olímpico nos Jogos Olímpicos de Tóquio, realizado neste ano de 2021, contando com duas de suas inúmeras modalidades: Skate Street e Skate Park, feminino e masculino. Tivemos a atuação da “fadinha” Rayssa Leal, adolescente de 13 anos de idade, que celebrou a medalha de prata no estilo Street feminino. Por sua vez, Pedro Barros levou a medalha de prata, na modalidade Skate Park. No ranking dos skatistas brasileiros nas olimpíadas tivemos ainda Luizinho Francisco que ficou com o quarto lugar e Pedro Quintas com o oitavo lugar. A inclusão do skate nas olimpíadas emocionou muitos brasileiros. Fomos muito bem representados.
A Causa da doação de órgãos
Rochelle, aos 36 anos, descobriu uma fibrose pulmonar rara, cuja única possibilidade de cura seria recebendo um transplante pulmonar duplo. Foi quando teve que parar com todos os seus projetos, pois devido a limitação pulmonar, faltava-lhe energia para fazer suas atividades. Rochelle fazia uso de oxigênio contínuo de 5 litros/âmbar através de um concentrador elétrico, ligado 24 horas.
Fez um curso de extensão na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) para aprender mais sobre o tema, criou o projeto Vida em Jogo, que levou para estádios de futebol pacientes e médicos para sensibilizar as torcidas para a doação de órgãos, se engajou com a Frente Parlamentar de Doação de Órgãos e passou a fazer lives regulares nas redes sociais com a participação de autoridades no assunto.
Rochelle foi uma guerreira dos que lutavam por espaço público para o skate, pioneira, brigando por um lugar em que as crianças poderiam aprender e desenvolver este lindo esporte. Lutou, também, pelo atendimento prioritário aos pré-transplantados nos hospitais, emergências, nos bancos, para que não faltasse medicação na farmácia do estado e, fundamentalmente, para um melhor planejamento e organização da Central de Transplantes do Rio Grande do Sul na captação de órgãos e no treinamento de médicos e enfermeiros, considerado por especialistas da área como um dos maiores problemas do processo da doação ao transplante.
“Uma mulher corajosa, uma guerreira, braba, destemida, frágil, amava a vida, a Júlia, o Murilo, o Mateus e o mar”, expõe Glaci Borges, coordenadora do Cultura Doadora da Fundação Ecarta, projeto do qual Rochelle era parceira. “Por ela, estaria aqui com a gente, dando depoimentos, fazendo lives, forte, potente, bonita. Mas não deu. Ela descansou. Estava exausta. Vai fazer muita falta. A causa perde uma militante e eu uma amiga”.
Rochelle era um exemplo de superação e luta, uma mulher inspiradora e admirável. Ela foi uma das maiores ativistas de doação de órgãos do Sul.
E, infelizmente, faleceu em 19/08/2021, aos 44 anos de idade, à espera de um transplante. E nos deixou. Contudo, a luta de Rochelle, que envolve a prática do skate por todas as pessoas, bem como a necessidade de conscientização da família em aceitar a doação de órgãos, continua!
Posto isto, e na certeza de termos nosso pleito atendido, encaminhamos este documento assinados por todos os cidadãos, a serem protocoladas em seu Gabinete.
Porto Alegre, 23 de agosto de 2021.
Links:
À espera de um transplante, morre Rochelle Benites - Extra Classe
Acesso Radical (acessoradicalskate.blogspot.com)
https://www.uol.com.br/esporte/olimpiadas/amp-stories/quem-sao-brasileiros-do-skate-park-nas-olimpiadas-de-toquio/
Vídeos:
Primeira pista de skate no Parque Marinha do Brasil - 1985
https://www.youtube.com/watch?v=YZs22tLyTlw
Maior pista de skate da América Latina no Parque Marinha do Brasil -2021
https://www.youtube.com/watch?v=q-XF7PfKre8
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