Abaixo-Assinado (#60810):

MANIFESTO DOS ESTUDANTES DE LETRAS CONTRA O NOVO ENSINO MÉDIO E A DESOBRIGATORIEDADE DO ESPANHOL

Destinatário: Estudantes de letras da UFC

Nós, estudantes dos cursos de Letras da Universidade Federal do Ceará, nos colocamos contra a reforma educacional chamada de Novo Ensino Médio (NEM), que foi aprovada de forma arbitrária, sem ser debatida com estudantes, professores e outros profissionais da educação, que são as maiores vítimas desse nefasto projeto. O NEM prioriza disciplinas utilizadas para atender critérios de exames internacionais e que retira a obrigatoriedade ou diminui a carga horária de matérias essenciais para a formação cidadã e para uma futura entrada à universidade de estudantes secundaristas de todo o país, como a retirada da obrigatoriedade do ensino da língua espanhola nas escolas de ensino fundamental e médio, que ocasionará a diminuição da empregabilidade dos profissionais da língua hispânica e do acesso da população brasileira aos espaços de hispanidades que são de extrema importância cultural, política e econômica, visto a proximidade geográfica do Brasil com países de língua hispana e a sua relação econômica e política com eles.

O Novo Ensino Médio é uma tentativa de resolver os inúmeros problemas que a educação brasileira passa, no entanto, ele é uma falsa solução ao problema real. O real problema das escolas brasileiras não é curricular, mas infraestrutural: falta acessibilidade para estudantes PCDS, falta profissionais da educação, como: professores, coordenadores pedagógicos, diretores escolares etc.; falta merenda escolar e faltam salas de aulas e aparelhos esportivos em boas condições.
Portanto, necessitamos de uma reforma do ensino médio que não seja projetada por empresários e aprovada de forma antidemocrática pelo Governo Federal. Mas que seja planejada por professores, educadores, profissionais do ensino e pela sociedade, e que leve em conta as necessidades de estudantes brasileiros para que se formem não apenas para o mercado de trabalho, mas que também se formem como cidadãos que possam entender a sua realidade e que também possam ter acesso a uma universidade. Lutamos por um NEM que valorize boas disciplinas, verdadeiramente formativas, e que o espanhol seja novamente estudado no ensino fundamental e médio.

Tendo em vista tudo apresentado, propomos que as demandas de estrutura, de profissionais, de acessibilidade, de bom material didático, entre outras, existentes em nossas escolas possam ser atendidas e resolvidas. Lutamos também por um real ensino de línguas estrangeiras, que nossos alunos tenham acesso a diferentes idiomas (além do espanhol e do inglês) e que possam aprendê-las com os devidos docentes, formados, preparados para ensiná-las e com bom material didático. Também pedimos mais investimento na educação básica para que se possa ampliar o ensino básico noturno para atender àqueles estudantes que trabalham ou que possuem filhos, para a valorização de todos os docentes e outros profissionais da educação, para ampliação da acessibilidade e pelo ensino da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Por tanto, pedimos a criação de uma verdadeira reforma do ensino médio.

Reiteramos que o “Novo Ensino Médio” foi imposto ao nosso ensino, aos profissionais da educação e aos alunos, pelo Governo Federal e pelos grandes empresários que tentam cada vez mais privatizar nossa educação pública.
Nós, estudantes e futuros profissionais da educação, desaprovamos esse projetos de lei e nos colocamos na luta contra a mercantilização da educação do nosso país. Propomos que haja a construção de um ensino médio pelas mãos dos profissionais, de estudantes e da sociedade brasileira.

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