Abaixo-Assinado (#61507):
Enquanto Portugal se dedica religiosamente à tarefa de cobrir o país inteiro com painéis solares e ventoinhas gigantes, talvez fosse sensato — heresia das heresias — pensar em construir uma central nuclear. Uma única central de última geração garantiria não só a nossa independência energética limpa, como ainda dava para aumentar o ordenado médio nacional, coisa que neste momento é quase tão rara como unicórnios.
Em vez de precisarmos de dezenas de milhares de hectares de painéis, destruindo alegremente fauna, flora, solos agrícolas e zonas de biodiversidade "protegida", teríamos um pequeno espaço, bem guardado, a produzir energia fiável 24 horas por dia. Mas claro, destruir habitats inteiros para montar quintas solares é que é "verde". Verde... como o pó que sobra depois da desertificação.
Para igualar a produção de uma única central nuclear moderna, precisaríamos de uma área solar equivalente a várias vezes a cidade de Lisboa. E ainda assim, seria energia intermitente — como ontem ficou provado, quando meio país andou às escuras por causa de um problema banal na rede. Imaginem agora, com as maravilhosas energias "verdes", tentar recuperar um apagão nacional no inverno, sem sol e sem vento. Uma central nuclear, com os seus múltiplos sistemas de redundância, teria continuado a produzir energia, impávida e serena.
Mas pronto, é mais poético confiar no clima imprevisível do Atlântico do que apostar na tecnologia que hoje inclui sistemas de segurança passiva, desligamentos automáticos e contenções duplas, capazes de resistir a terramotos, tsunamis, greves gerais e talvez até a mais uma temporada da Assembleia da República.
Preferimos importar eletricidade da França (que, ironicamente, é 70% nuclear) e pagar taxas "verdes" na fatura, do que investir numa solução nacional, limpa, segura e de alta densidade energética. E ainda nos perguntamos porque é que o ordenado médio não sobe: difícil quando metade vai para sustentar projetos que produzem energia... quando calha.
Portugal podia ser exemplo de um país moderno, resiliente e independente. Ou podemos continuar a plantar painéis até a Caparica parecer o Saara, e cruzar os dedos para que o sol brilhe sempre que quisermos carregar o telemóvel.
Escolham. Mas não se queixem quando o próximo apagão durar mais que a bateria do vosso powerbank.
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