Abaixo-Assinado (#62909):

Relato institucional sobre condução pedagógica – Prof. Rogério Rodrigues

Destinatário: Coordenação Prof Bartira

Prezada Coordenação,

Na qualidade de representante da turma de Direito, venho apresentar, de forma respeitosa e institucional, um relato acerca da condução das aulas ministradas pelo Prof. Rogério Rodrigues, considerando impactos observados no ambiente acadêmico, na participação discente e no processo de aprendizagem.

Desde o início da unidade curricular, observou-se que parte significativa das aulas era direcionada, especialmente antes do intervalo, a temas paralelos ao conteúdo programático, incluindo relatos pessoais, opiniões subjetivas, percepções sobre trajetórias profissionais e comentários críticos relacionados a determinadas áreas de atuação, como Defensoria Pública, métodos conciliatórios e outras abordagens profissionais. Também foram trazidas, em sala, considerações relacionadas a questões contratuais junto à instituição, bem como relatos de experiências anteriores negativas vivenciadas pelo docente em outras turmas e contextos acadêmicos.

Inicialmente, tais manifestações foram interpretadas pela turma apenas como contextualizações pessoais. Contudo, ao longo das aulas, tornou-se recorrente a percepção de dificuldade na objetividade das explicações técnicas, especialmente quando os alunos buscavam esclarecimento de dúvidas específicas, as quais frequentemente eram respondidas de forma genérica ou desviadas para exemplos pessoais e opiniões subjetivas.

Com o passar das semanas, verificou-se redução significativa da participação espontânea da turma, aumento do silêncio em sala e crescimento do absenteísmo. Muitos alunos passaram a evitar questionamentos por receio de exposição, desconforto ou desvio do foco técnico da aula.

No dia 16/04, após um episódio em que a turma permaneceu majoritariamente em silêncio e a aula foi encerrada antecipadamente, às 21h15, busquei, na condição de representante, estabelecer diálogo respeitoso e construtivo com o docente. Na oportunidade, apresentei percepções gerais da turma relacionadas à dinâmica das aulas, sugerindo maior direcionamento técnico, utilização de exemplos mais objetivos e estratégias que favorecessem o ambiente de aprendizagem e participação.

Durante essa conversa, contudo, observou-se maior preocupação do docente em identificar possíveis alunos que estariam “tentando prejudicá-lo” ou “sabotando” sua atuação, mencionando nomes e situações específicas, enquanto a tentativa de diálogo buscava justamente afastar personalizações e concentrar a discussão na melhoria do processo pedagógico.

Após esse episódio, passaram a ocorrer falas mais incisivas em sala, nas quais o docente passou a justificar a adoção de uma condução mais estritamente voltada ao conteúdo em razão de ter tomado ciência de que parte da turma demonstrava desconforto com os exemplos pessoais anteriormente utilizados. Contudo, a forma como tais colocações passaram a ser realizadas gerou preocupação entre os alunos, diante da percepção de um ambiente mais voltado à provocação indireta e à tensão relacional do que à promoção de uma aprendizagem técnica, equilibrada e saudável.

Também passaram a ocorrer abordagens individuais a alunos, inclusive externos à turma, questionando se haviam se sentido ofendidos ou desconfortáveis com determinadas falas, o que gerou apreensão entre os discentes.

Na aula do dia 14/05, a situação atingiu um nível de constrangimento que motivou este relato formal. O docente iniciou a aula afirmando que gostaria que a sala estivesse mais cheia para que “todos ouvissem”, retomando novamente questões relacionadas ao comportamento da turma e afirmando que não seria intimidado por alunos. Também voltou a mencionar, de forma recorrente, seus 22 anos de experiência profissional, além de afirmar que “não precisa dos alunos, mas os alunos precisam dele”.

Na sequência, retomou o filme anteriormente indicado à turma (Ao Mestre com Carinho), afirmando que a obra demonstraria “o que é ser docente” e sugerindo, de forma indireta, que determinadas pessoas da sala compreenderiam sua mensagem.

Ainda durante essa abordagem, mencionou ter recebido informações — atribuídas à conversa realizada comigo em 16/04 — de que “80% da sala” estariam insatisfeitos com sua postura. Contudo, essa não foi a informação transmitida durante o diálogo ocorrido naquela ocasião. O que foi levado ao docente foi a percepção predominante de que a turma entendia a relevância do conteúdo ministrado e acreditava que poderia aproveitá-lo de forma mais efetiva mediante uma condução mais técnica, objetiva e alinhada às necessidades da disciplina.

A forma como essa situação foi exposta em sala gerou desconforto adicional, sensação de exposição indireta e insegurança quanto à liberdade de participação e manifestação dos alunos. Diante do cenário apresentado e da condução adotada naquele momento, optei por me retirar da sala, por compreender que o ambiente já se encontrava marcado por elevado constrangimento e tensão relacional.

Também chamou atenção o fato de que, apesar do contexto de dificuldades acadêmicas já perceptíveis, inclusive diante do número expressivo de avaliações com baixo desempenho, não houve naquele momento priorização de estratégias voltadas ao esclarecimento do conteúdo, retomada técnica da matéria ou abertura prévia para um diálogo pedagógico mais amplo com a turma.

As falas proferidas acerca de supostas tentativas de intimidação ou prejuízo ao docente acabaram assumindo proporções desnecessariamente sensíveis diante de um cenário cujos sinais já eram perceptíveis anteriormente e que poderia ter sido conduzido por meio de diálogo pedagógico mais equilibrado, preventivo e construtivo.

Além das questões relacionais, verificou-se dificuldade na condução objetiva do conteúdo programático, com descompasso em relação ao planejamento da unidade curricular. Tal situação se evidenciou no desenvolvimento do tema “petição inicial”, cuja condução ocorreu de forma morosa, impactando diretamente na evolução da atividade avaliativa A3, que até o momento permanece sem orientação definida.

Diante dessas lacunas, a turma passou a buscar apoio recorrente junto ao Prof. Rogério Cellino, parceiro da unidade curricular, que prontamente revisita conteúdos e auxilia na retomada do raciocínio técnico necessário ao acompanhamento da disciplina.

Diante do exposto, solicito o apoio da coordenação para alinhamento pedagógico da disciplina, visando:
- restabelecimento do foco técnico e programático das aulas;
- promoção de ambiente acadêmico respeitoso, seguro e participativo;
- melhoria da condução das interações em sala;
- clareza quanto às orientações avaliativas e ao desenvolvimento do conteúdo.

Ressalto que este relato possui caráter exclusivamente institucional e pedagógico, sem intenção de personalização ou conflito individual, tendo como único objetivo a preservação da qualidade do ensino e do adequado aproveitamento acadêmico da turma.
Atenciosamente,

Danielle Leal Couto
Representante da turma de Direito
5o Semestre - USJT Guarulhos

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