Abaixo-Assinado (#63575):

PELA RETOMADA DAS AULAS E PELO DIREITO À EDUCAÇÃO

Destinatário: Mães, pais, responsáveis, e todos e todas que se sensibilizarem com a situação.

PELA RETOMADA DAS AULAS E PELO DIREITO À EDUCAÇÃO

Às autoridades competentes, ao Governo do Estado de Sergipe e ao SINTESE (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe).

Nós, mães, pais, responsáveis, estudantes e cidadãos sergipanos, vimos, por meio deste abaixo-assinado, manifestar nossa profunda preocupação com a continuidade da greve dos professores da Rede Estadual de Ensino de Sergipe, que já mantém milhares de crianças e adolescentes afastados das salas de aula há 29 dias.

Antes de tudo, queremos deixar claro: este movimento não é contra os professores.

Reconhecemos a importância dos profissionais da educação, respeitamos suas reivindicações e compreendemos que trabalhadores precisam ter seus direitos, sua carreira e sua dignidade profissional respeitados. Valorizar a educação também significa valorizar quem ensina.

Mas hoje falamos de outro direito que igualmente precisa ser protegido: o direito de nossas crianças e adolescentes à educação.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 53, assegura à criança e ao adolescente o direito à educação, com igualdade de condições para acesso e permanência na escola. O artigo 54 estabelece, ainda, o dever do Estado de assegurar o ensino obrigatório e gratuito. A Constituição Federal também estabelece a educação como direito de todos e dever do Estado e da família.

Por isso, entendemos que este momento exige diálogo, responsabilidade, sensibilidade e disposição para construir uma solução que preserve tanto os direitos dos trabalhadores da educação quanto os direitos dos estudantes.

Cada dia fora da escola tem um peso diferente para quem depende exclusivamente da educação pública.

Estamos a poucas semanas do ENEM, marcado para os dias 8 e 15 de novembro. Enquanto estudantes da rede particular seguem tendo aulas, revisões, simulados e acompanhamento pedagógico, muitos jovens da escola pública estão há semanas privados da principal estrutura de preparação que possuem: a própria escola.

Isso amplia uma desigualdade que já existe.

Nossos estudantes da rede pública carregam perdas acumuladas ao longo de décadas. São jovens que historicamente precisaram disputar oportunidades em condições muito diferentes daqueles que puderam contar com ensino privado, cursos preparatórios e outros recursos.

Nos últimos anos, muitos desses estudantes passaram a experimentar novas possibilidades dentro da escola pública sergipana, por meio de projetos, programas, tecnologia, atividades, oportunidades e experiências que, para muitas famílias, antes pareciam distantes de sua realidade. Não podemos permitir que justamente quando nossos filhos começam a enxergar novos caminhos, sejam novamente afastados do espaço onde esses caminhos podem ser construídos.

E há uma realidade que precisa ser dita.

Nós somos mães. Muitas de nós somos mães da periferia.

Conhecemos de perto o que significa manter um filho protegido, estudando e acreditando que existe um futuro diferente daquele que tantas vezes a vulnerabilidade social tenta lhe impor.

Todos os dias vemos crianças e adolescentes sendo atraídos pela criminalidade, pelas drogas, pela evasão escolar e pela falta de perspectivas. Para muitas famílias, a escola não representa apenas português, matemática, história ou ciências.

A escola representa proteção. Representa oportunidade. Representa futuro.

Para algumas mães, manter um filho dentro da escola é também uma luta diária para mantê-lo longe da criminalidade.

É por isso que fazemos este apelo.

Não queremos escolher entre professores valorizados e alunos em sala de aula. Sergipe precisa e merece as duas coisas.

Não pretendemos apontar culpados, deslegitimar reivindicações ou colocar trabalhadores contra famílias. Pedimos que o Governo do Estado de Sergipe e o SINTESE intensifiquem o diálogo e construam, com urgência, uma alternativa de negociação capaz de permitir o retorno das aulas, sem abandonar a busca por uma solução justa para os profissionais da educação.

Depois de 29 dias, cada novo dia importa.

Cada aula importa.

Cada estudante importa.

Por isso, nós, abaixo-assinados, solicitamos a retomada das aulas na Rede Estadual de Ensino de Sergipe e a continuidade imediata e efetiva das negociações entre o Governo e a representação dos professores, buscando uma solução equilibrada, responsável e respeitosa para todas as partes.

Acreditamos na luta dos trabalhadores.

Acreditamos no diálogo.

Mas acreditamos, sobretudo, que nenhuma criança ou adolescente pode ter seu futuro colocado em espera.

Pelos professores, por nossos filhos e pela educação pública: diálogo, negociação e volta às aulas.

Sergipe, outubro de 2026.

Assinam este documento mães, pais, responsáveis, estudantes e cidadãos em defesa da educação pública e do futuro das crianças e adolescentes sergipanos.

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