Abaixo-Assinado (#8604):

Contra o pré-conceito racial demonstrado por alguns parlamentares.

Destinatário: elevesuamente@hotmail.com

Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Legislativa da República Federativa do Brasil

No encontro denominado ‘’Encontro Afro Cristão 2011’’, abaixo assinados, vimos à presença de vossa Excelência, por meio desta manifestar nosso repúdio às declarações dos deputados Marco Feliciano (PSC), Jair Bolsonaro (PP) e Júlio Campos (DEM).

Em detrimento à Constituição Federal, que celebra a igualdade de direitos entre as pessoas sem acepção de nenhuma natureza, as atuais declarações pré-conceituosas dos referidos deputados federais chocaram toda a sociedade brasileira, principalmente o segmento afro descendente.

Marco Feliciano, em sua conta no site de relacionamentos ‘‘Twiter’’ fez as seguintes declarações:

“africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato. O motivo da maldição é polêmica. Não sejam irresponsáveis twitters rsss”.

“sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, Aids. Fome…’’

Historicamente, estas afirmações foram utilizadas pelo clero para justificar a escravidão, e consequentemente, as atrociddes que a acompanharam. Este discurso reproduzido por lábios de um representante do povo brasileiro, além de significar um retrocesso na luta afro brasileira, descaracteriza a intenção do Legislador Constituinte de aproximação aos ideais de igualdade e fraternidade que são os pilares da Carta Magna brasileira.

Ainda nesta vertente de intolerância, o deputado federal Jair Bolsonaro declarou à cantora Preta Gil, em quadro exibido no programa CQC da TV Bandeirantes, quando questionado sobre qual seria sua reação frente ao relacionamento de um filho seu com uma negra:

“Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco, meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu.”

Evidente está, portanto, a intolerância do citado deputado federal, no que tange os relacionamentos interraciais. A cultura brasileira, desde a introdução da escravidão, tende a mistificar a mulher afro descendente, demonizando seu corpo e os relacionamentos interraciais. Esta mistificação, nada mais é que a reprodução das

apregoações fascistas e neo-facistas que vem sendo repudiadas mundial e sistematicamente.

Como se não bastasse, o deputado federal Júlio Campos (DEM), fez a seguinte declaração:

“Essa história de foro privilegiado não dá em nada. O nosso Ronaldo Cunha Lima precisou ter a coragem de renunciar ao cargo para não sair daqui algemado, e, depois, você cai nas mãos daquele moreno escuro lá no Supremo. Aí, já viu”, afirmou Campos.”

A referida declaração foi feita pelo deputado em ocasião de sua defesa aos governantes que tentam se locupletar da lei praticando crimes comuns, se aproveitando de privilégios parlamentares.

Salta aos olhos a afronta intencionada por parte de Júlio Campos, visando o Excelentíssimo Ministro do STJ Dr. Joaquim Barbosa, assim como também salta aos olhos, o tom pejorativo do predicado utilizado. Assim sendo, a simples transcrição de sua fala, exime maiores comentários.

Atualmente, nossa nação, a nação que afirma se orgulhar da igualdade, vem sendo bombardeada com afirmações semelhantes a estas, que nascem em corações de pessoas como Mayara Petruso e culminam em representantes como os deputados Marco Feliciano. Jair Bolsanaro e Julio Campos. Não é esta, a nação que nós, negros e negras, cidadãos/ãs deste Estado de Direito chamado Brasil, sonhamos, esperamos e teremos, não são estes os representantes que nós escolhemos, portanto, aguardamos as providências cabíveis frente aos desacatos à Constituição Federal que, pasmados e pasmadas, temos vislumbrado.

Sem mais,

São Bernardo, 3 de a abril de 2011.

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