Abaixo-Assinado (#868):

Licenciatura de Ciências da Comunicação

Destinatário: Departamento de Ciências da Comunicação da FCSH

Os abaixo-assinados, alunos finalistas de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, vêm por este meio pronunciar-se criticamente acerca da sua experiência ao longo desta licenciatura nos seguintes pontos:

1- Pouca preponderância dada às variantes da licenciatura, comprovada pela diferença abismal entre o número de cadeiras do tronco comum e as cadeiras opcionais.

2- Falta de flexibilidade na escolha das cadeiras, apoiada também no facto de, algumas delas, nem sequer abrirem.

3- A comprovar o ponto anterior está a cadeira de Guionismo que, durante estes três anos, nunca abriu, apesar de haver um considerável número de alunos interessados, que inclusivamente informou o professor da cadeira desse interesse.

4- A forma como é constantemente relegado para último plano a dimensão prática do curso, quando a implementação do Processo de Bolonha dá indicações no sentido contrário.

5- Falta de regulação dos professores, que faz com que dentro da sala de aula e no momento da avaliação detenham uma autoridade incontestada e propícia a abusos.

6- A falta de critérios de avaliação objectivos e claros em todas as cadeiras.

7- Falta de competências pedagógicas por parte de alguns professores que, apesar de especialistas na sua área de investigação, deixam bastante a desejar na capacidade de transmissão de conhecimentos.

8- Uma percentagem considerável de professores tem no ensino uma actividade secundária, pelo que os alunos são quase sempre deixados para trás quando surge algum compromisso de outra natureza.

9- Ao longo de três anos, as propinas foram aumentadas em cerca de 400€, contudo, isso não se reflectiu numa melhoria das condições da faculdade. A cadeira Tecnologia dos Media é feita sem recurso a computadores; Atelier de Jornalismo Radiofónico é feito com uma falta gritante de material; e Atelier de Jornalismo Televisivo apenas tem uma câmara de filmar à disposição de todos os alunos, que é partilhada com mais cadeiras.

10- A desadequação das salas à matéria que irá ser leccionada, que leva cadeiras como Ciberjornalismo a serem marcadas para salas de aula sem computadores.

11- Existência, por vezes, de alunos a mais em cadeiras de cariz mais prático, o que dificulta um funcionamento com maior eficácia da relação docente-discente. Em Jornalismo Televisivo tinham de estar duas pessoas por computador e a aula, que era de quatro horas, teve de ser divida ao meio para todos os grupos terem computadores, o que fez com que os alunos tivessem apenas direito a duas horas por semana da cadeira.

12- A não existência de uma data fixa para as notas serem lançadas, de um método universal de lançamento ou de notificação dos alunos disso mesmo, faz com que o prazo de três dias úteis para a inscrição no exame de melhoria seja, por vezes, curto.

13- Nestes três anos, vivemos a transição para Bolonha que, na nossa perspectiva, foi feita de forma apressada e descuidada, com dificuldades para os alunos para obterem informações sobre as alterações que se viriam a verificar.

14- Por último, é de referir a cadeira de Semiótica como um modelo de anti-pedagogia, difícil relacionamento com o professor e um sentimento geral de injustiça e aleatoriedade na avaliação.


No sentido de corrigir algumas das deficiências com que nos deparámos ao longo destes três anos no Curso de Ciências da Comunicação, nós, alunos finalistas, recomendamos:

1- Dar uma renovada importância à componente prática da licenciatura com mais cadeiras dessa natureza, embora preservando a sua raiz teórica.

2- Maior preponderância das variantes no número de cadeiras e créditos, e maior flexibilidade na escolha das cadeiras.

3- Critérios de escolha de docentes tendo por base não só o seu sucesso académico, mas também a sua capacidade de transmitir os conhecimentos que possuem.

4- Maior regulação das aulas e dos professores, tendo em conta as normas de conduta, profissionalismo e respeito pelos alunos no ensino das cadeiras.

5- Disponibilizar online os critérios de avaliação de cada cadeira.

6- Introduzir nos programas das cadeiras mais práticas, como os Ateliers, formação técnica para os alunos, como edição de som, vídeo e fotografia, muitas vezes essenciais para a cadeira em causa.

7- Remediar a escassez de material técnico à disposição dos alunos através de, por exemplo, protocolos com televisões ou rádios, como já acontece em outras instituições.

8- Que os horários não sejam feitos apenas à medida dos professores, dando origem a que se tornem disfuncionais, esgotanto e desgastanto os alunos.

9- Haver uma adequação dos materiais e infraestruturas às cadeiras leccionadas.

10- Evitar as aulas de quatro horas, pela dificuldade não só dos alunos, mas também dos professores, em cumpri-las com eficiência.

11- Cadeiras como Filmologia e Teoria da Notícia deviam estar claramente nas variantes de Cinema e Televisão e Jornalismo respectivamente, e não no tronco comum.

12- A limitação do número de créditos que se pode fazer por ano ou por semestre deve partir da iniciativa do aluno e não estar sujeito a alguma obrigatoriedade.

13- A partir deste ano o estágio deixou de ser obrigatório para a conclusão da licenciatura desde que se tenha completado o número de créditos obrigatório. No entanto, ficam algumas sitauções em aberto que devem ser resolvidas e aprovadas. Nomeadamente a possibilidade de o estágio passar a substituir cadeiras como forma de obter créditos e a hipótese de ter um semestre da licenciatura para o fazer.


Não tendo já nada a ganhar com as alterações que eventualmente possam ser feitas, os signatários esperam que estas críticas e sugestões sejam recebidas com espírito aberto e tomadas seriamente em linha de conta para que, a curto prazo, se melhore o funcionamento do curso de Ciências da Comunicação. Para bem da instituição e, principalmente, dos futuros alunos.

Assine este abaixo-assinado

Dados adicionais:


Por que você está assinando?


Sobre nós

O AbaixoAssinado.Org é um serviço público de disponibilização gratúita de abaixo-assinados.
A responsabilidade dos conteúdos veiculados são de inteira responsabilidade de seus autores.
Dúvidas, sugestões, etc? Faça Contato.


Utilizamos cookies para analisar como visitantes usam o site e para nos ajudar a fornecer a melhor experiência possível. Leia nossa Política de Privacidade.