Abaixo-Assinado (#9311):

Nota de repúdio ao assassinato do professor Cleides Antônio Amorim (UFT)

Destinatário: Presidenta Dila Roussef

Estamos em luto. Mais uma vez, o risco pela ousadia de se dizer que não se é igual se tornou estatística de violência. Cleides Antônio Amorim, professor na Universidade Federal do Tocantins, foi assassinado no dia 5 de janeiro, na cidade de Tocantinópolis, em um ato bárbaro de homofobia. Poderíamos vivenciar nosso luto em silêncio, reservando-nos à companhia solitária da dor e da tristeza. Sim, poderíamos. Mas a mesma palavra que traduz o que estamos sentindo pela morte de nosso colega é o verbo que, quando conjugado na primeira pessoa do singular, nos permite resistir ao pacto de silêncio que encobre e compactua com os crimes de ódio nesse país: LUTO!
Nesse sentido, nós, professores e professoras das universidades públicas federais e de muitas outras escolas e universidades abaixo designadas, decidimos não silenciar. Estamos em luto e em luta! Em luto, por todas as travestis, transexuais, lésbicas e gays assassinados em nosso país ao longo destes anos, mas também continuamos em luta contra as restrições veladas à exposição de nossos corpos e desejos na vida pública, nas escolas, nas universidades, nos hospitais, nas ruas, enfim, em todos os espaços de exercício da cidadania.
Continuamos em luta contra o silêncio covarde e cúmplice dos Governos diante do extermínio da população LGBT, governos que não ousam governar para todos, mas para alguns. Estamos em luta contra o pacto estabelecido pela presidenta Dilma Rouseff com as forças religiosas dogmáticas, que tem implicado a contaminação crescente da políticas públicas pelo moralismo estreito e pelo vigilantismo tão ao gosto desses grupos, porque isso compromete o princípio de laicidade da gestão democrática. Mas também porque as posições explicitadas pelos setores religiosos dogmáticos em relação às condutas das pessoas, especialmente no campo da expressão e identidade sexual, têm incitado ao ódio e à violência, resultando em tragédias como a morte do Prof. Cleides. Sim, somos diferentes! Se ser igual é submeter-nos à norma da heterossexualidade compulsória e a seus efeitos de produção de “verdades”, então não somos óbvios! E se for impossível participar da cidadania plena fora de tal obviedade que se alastra por esse país, lutemos pelo impossível!
Como educadores e pesquisadores brasileiros , exigimos que o Governo Federal posicione-se, de uma vez por todas, em relação à criminalização da homofobia e às políticas de enfrentamento da violência homofóbica no Brasil. Não podemos mais permitir que o Estado brasileiro seja governado por políticas amparadas em fundamentalismos religiosos ou morais de qualquer ordem, como temos percebido no âmbito da saúde, da segurança, da reforma agrária e da educação - para citarmos apenas alguns setores nos quais os governos federal, estaduais e municipais têm desenvolvido políticas públicas que compactuam silenciosamente com as imensas e sintomáticas atrocidades perpetradas contra aqueles e aquelas que estão à margem do instituído.
Não se trata de afirmar somente nossas reivindicações por uma democracia ampla e uma cidadania irrestrita a partir de um lugar específico, da identidade de gênero ou de orientação sexual. Lutar contra a homofobia e os crimes de ódio é hoje uma necessidade de todas as pessoas que ousam acreditar que podemos viver juntos, apesar das diferenças de gênero, de classe, de raça, de etnia, de origem, de território, de geração, de sexualidade. É indispensável que as diferenças de qualquer tipo parem de ser sinônimos de desigualdades. E, acima de tudo, queremos que a justiça atue sobre todos aqueles e aquelas que, criminosamente, negam estas diferenças, disseminando o ódio e a violência.
Convocamos todos e todas a entrar nesta LUTA e manifestar em nossas universidades o nosso LUTO.

Assine este abaixo-assinado

Dados adicionais:


Por que você está assinando?


Sobre nós

O AbaixoAssinado.Org é um serviço público de disponibilização gratúita de abaixo-assinados.
A responsabilidade dos conteúdos veiculados são de inteira responsabilidade de seus autores.
Dúvidas, sugestões, etc? Faça Contato.


Utilizamos cookies para analisar como visitantes usam o site e para nos ajudar a fornecer a melhor experiência possível. Leia nossa Política de Privacidade.